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A viagem ao extremo: Deserto do Atacama

Superlativo é quando se demonstra uma característica em um grau muito elevado e o Deserto do Atacama é a personificação do que é um superlativo: intenso e extremo. É o deserto não polar mais seco do planeta, tal como é o deserto mais alto do mundo. Essa combinação poderia ser impossível para existência, quanto mais para uma viagem. Contudo, a vida aproveita de qualquer mínimo para florescer, como quando do deserto brota uma flor. E uma boa pedida para uma viagem.

Furou o sal, o seco, o impossível e a surpresa

Em 2017, houve a última florada no Deserto do Atacama devido ao fenômeno El Niño. Choveu no deserto como há décadas não se chovia. A resposta da natureza foi desabrochar em um mar de flores. É uma ocasião rara, que geralmente se repete em um ciclo de 5 a 7 anos. Para poder presenciar esse espetáculo, é importante acompanhar os boletins meteorológicos, se o tempo for favorável, em alguns meses nascerá a flor do sal. O local em questão é em Copiagó, cerca de 800km de Santiago.

O vazio do deserto como espelho do universo

O deserto simboliza o vazio. É a contradição da existência do mundo e o convite de um encontro consigo mesmo ou na representação do universo. Na imagem que se repete e no engano em pensar que ali vida nenhuma poderia resistir, a persistência e adaptação ao ambiente revelam que não há nada impossível debaixo e sob os céus. Devido às suas características, Atacama pode ser o espelho de Marte, o Planeta Vermelho. Pesquisas trabalham no solo de sal para provar que em Marte também pode conter vida, independente da existência de água. Afinal, “somos poeira do espaço” e  compartilhamos as mesmas essências.

Estudando o chão para poder olhar o céu, que durante as horas noturnas tiram o fôlego com as estrelas salpicadas, Atacama é considerado um lugar perfeito para observar os astros. São cerca de 300 dias sem uma gota de chuva se quer, altitude de 2400 metros, baixa umidade local, pouca luminosidade artificial e céu aberto. Há quem não perca a oportunidade para fazer um tour astronômico – e essa é a chance.

Diferente do lado místico da coisa, os tours não ocorrem em dia de lua cheia. A luz lunar impede de observar o céu. No maior parque de telescópios da América do Sul, um gingante telescópio vem sendo construído para poder viajar no tempo, na lembrança que a luz das estrelas oferecem. Enquanto ele ainda não está pronto, os pequenos passeios a olho nu e utilizando pequenos telescópios encantam os turistas.

O céu é o quadro negro dos instrutores que munidos de um LASER esverdeado, ensinam aos seus alunos a desvendar as constelações e noções básicas de astronomia. O passeio concedido pela Space tem mais de duas horas envolto do frio desértico de zero graus, finalizando-se com uma aconchegante xícara de chocolate quente. Para conferir mais informações sobre essa aventura, acesse o site www.spaceobs.com

Altitude, como lidar

Acostumar-se com a altitude pode levar alguns dias e causar um mal-estar chamado soroche: náuseas, dor de cabeça, tontura, cansaço e falta de ar. É bom ir com calma, escolhendo para os primeiros dias os passeios com menos altitudes para dar tempo para o corpo se acostumar. Movimente-se lentamente, beba muita água e chá de coca.

Atenção: a coca é vendida em San Pedro mas proibida em Santiago.

San Pedro – A base da expedição

Os extremos são o atrativo de San Pedro, que atrai milhares de turistas todos os anos. Um pequeno oásis que rompe com o árido da paisagem. Uma mistura do vilarejo com poucos habitantes que emerge da secura em ambientes que mais parecem ter saído de uma ficção científica, calcificados no tempo em ruas e casinhas construídas em adobe como há 11 mil anos. Emana de lá uma energia boa que dizem vir da gigante placa de quartzo que habita abaixo da cidade de barro.

Para chegar à base de sua viagem pelo Deserto do Atacama, é preciso aterrissar no aeroporto de Calama e percorrer 100km até San Pedro, o qual contrasta das pedras vulcânicas do caminho com as árvores frutíferas e as águas dos lagos vizinhos. A cara da pequena cidade são todas. Há pessoas com traços indígenas e outras tantas de várias partes do mundo, que explicam porque ali é considerado um dos centro magnéticos da Terra. É agitada, tem vida noturna e fala muitos idiomas.

Sentir-se atraído pela localidade é fácil. Quem resiste à força da natureza, ainda mais quando vive em harmonia com a polis ou o próprio teto. As casas são térreas e erguidas com uma mistura de barro com palha há séculos, seguindo a velha lição dos ancestrais. O tempo de mãos dadas com a natureza ajuda a conservar a arquitetura da cidadezinha. Praticamente não chove na região, as nuvens carregadas de chuva não conseguem passar pela Cordilheira dos Andes, mostrando que o homem sempre se adapta às condições.

A rua principal é a Caracoles, lugar em que se encontra as lojas, restaurantes, bares e agências turísticas com muitos passeios. Estando lá, experimente uma bebida popular chilena ou trago, como é conhecida: chama-se pisco sour e piscocola, ambas têm base na pisco, uma aguardente preparada do destilado de uva. A pisco sour é tipo uma caipirinha, enquanto a piscola usa o famoso refrigerante.

A praça é o centro da cidade e a vida se desenvolve ao seu redor. São shows, conversas, crianças passando, muitos turistas e a Igreja de San Pedro, que foi construída em 1774 pelos jesuítas que colonizaram a região.

Próxima à praça, o Museu de Arqueologia R. P. Gustavo de Paige possui um acervo que data 10 mil anos atrás, como utensílios de ouro e cerâmicas. A prova de que a América  já era povoada antes mesmo do que se imaginava.

Para aproveitar ao máximo o Deserto do Atacama, é imprescindível ter coragem para enfrentar um dia inteiro de várias atividades. Recomenda-se tomar um café da manhã reforçado e embarcar nos passeios. Geralmente, os hotéis e as agências de turismos locais oferecem passeios pelos principais pontos – aliás, nada como alguém nativo que conheça o deserto como ninguém.

ImportanteAo sair para explorar o deserto, nunca se esqueça de usar o filtro solar, óculos escuros, bonés, chapéus, camiseta de manga longa e agasalho para a noite. Embora as temperaturas sejam relativamente altas durante o dia, a incidência de UV é alta. Também é importante levar uma garrafinha de água e o dinheiro referente à entrada aos Valles.

Valle de La Luna e Valle de La Muerte

Certamente quando se fala do Atacama, logo se associa ao Valle de La Luna e ao Valle de La Muerte. Os vales mais parecem vindos de fora da Terra, em um sonho de ficção científica. Como ficam próximo a San Pedro, dá para conhecer o lugar em meio período, sendo que muitas pessoas já encaixam o passeio logo no primeiro dia em que chegam.

Há 500 milhões de anos, o Vale de la Luna e de La Muerte eram continuidade do Oceano Pacífico. Com as mudanças geológicas e o início da formação das Cordilheiras, há 120 milhões de anos, o mar virou um lago de águas salgadas que se evaporou gradativamente. Para formar essa paisagem, ainda tiveram os terremotos, erupções vulcânicas e desdobramento de terra os quais permitiram essa visão. A erosão causada com o vento a 60 km/h ainda esculpe suas formações rochosas, dando os retoques finais e constantes.

O passeio realizado na região é um trekking até o pôr do sol. Cada agência tem seu roteiro, mas basicamente seguem os mesmos pontos. Em sua maioria, inicia-se às 16 horas devido ao sol e para assistir ao espetáculo do sol indo dormir no deserto. Chegar até o Valle de la Luna, que fica dentro da Reserva Nacional los Flamencos, é tranquilo, são cerca de 20 km em uma estrada asfaltada e sinalizada. Tem gente que se aventura encarar o tour de bike, vale de quanto de aventura se quer experimentar.

O que irá encontrar?

  • As três Marias – São três pedras em pé no meio do deserto. Conforme as instruções dos guias, é possível entender um pouco sobre a composição geológica do deserto e saber como são formadas.
  • Antiga área de mineração – o solo do deserto é esbranquiçado devido a presença de sal. Antigamente havia a exploração desse mineral na região, hoje está desativada.
  • Grande Duna
  • Sandboard nas dunas
  • Anfiteatro – Formação geológica que parece um teatro.

Seguindo adiante, o Valle de la Muerte ou Valle de Marte é avermelhado, com diversas dunas e muita gente praticando sandboard. Para entrar nessa área é preciso um carro 4×4. Essa é a hora de se preparar para o pôr do sol na Pedra do Coiote ou no Mirante do Kiri.

 

Salar de Atacama e  Lagunas Altiplânicas

Sal é um artigo recorrente no Atacama e o Salar de Atacama é uma das maiores salinas do mundo e onde se encontra o deserto de sal da região. Ela faz parte da Reserva Nacional los Flamencos e o local a ser visitado é a Laguna Chaxa, com a presença de aves andinas e os flamingos.

O tour ainda passa pelo povoado de Socaire, a 3 mil metros de altitudes, que no passado foi muito importante. Hoje conta com 300 habitantes e uma igrejinha tombada. Mais um bocado de estrada e chega-se em Piedras Rojas e suas cores: pedras vermelhas, céu azul e lago esverdeado.

O auge está a 4 mil metros de altitude, nos lagos aos pés de um vulcão coberto de neve. As Lagunas Miscanti e Meñiques são formadas do degelo da neve. O passeio acaba no encontro com a placa que sinaliza o Trópico de Capricórnio e onde seria a lendária trilha inca.

Salar de Tara

Um dos lugares mais lindos para se conhecer no deserto, embora não seja o mais visitado. Ele fica ao adentrar essa região, “Los monjes de la Pacana” irão dar boas-vindas em sua curiosa formação rochosa, com formatos trabalhados pela erosão dos ventos e chuvas ao longo do tempo. Estar em um deserto é entender que no vazio há significados e a possibilidade de contemplação. Pare ao lado do “Guardião” e seus 18 metros e sinta que as grandezas da terra e tempo são superiores a qualquer um.

Já pensou em tomar seu café da manhã de frente à lagoa, a mais de 4 mil metros de altitude, ordenada por flamingos e cercados pelos paredões chamados “Catedrais”.

Geysers del Tatio

Para esse passeio, deve-se pular da cama cedo e cair na estrada logo de madrugada. É um pouco mais afastado de San Pedro que os demais passeios, porém vale muito a pena. Ir ao Geyser del Tatio é conhecer o maior campo geotérmico da América do Sul e saber que os seus gêiseres entram em atividade logo pela manhã – daí o motivo de madrugar!

O cenário se resume aos vapores cortando a cena, juntamente dos primeiro raios de sol. É frio, aliás, muito frio, nunca se esqueça de ir bem agasalhado, embora esteja em um lugar com grande liberação de calor vindo do centro da terra, com pequenos vulcões de água e vapor em atividade. O local se encontra a mais de 4 mil metros de altitude, com temperaturas negativas. Há algumas piscinas termais naturais que antes atraiam muitos visitantes, mas que hoje não é recomendado o mergulho, devido ao alto teor de arsênio. Alguns tours completam o trajeto passando pelo pequeno povoado de Machuca, para experimentar o espetinho de llama, empanadas e o pastel choclo.

Laguna Cejar, Ojos de Salar e Laguna Tebinquiche

Paisagens lunares, cenário marciano e sem gravidade? Sim, no Deserto do Atacama há essa possibilidade. Na Laguna Cejar, por exemplo, a gravidade é questionada pela alta concentração de sal nas águas, chegando a ser mais densa que o Mar Morto. O resultado é que ninguém afunda.

Aproveitando o passeio, os Ojos del Salar são poços de água doce profundos lado a lado, que convida aos corajosos para um mergulho. Seguindo caminho, a Tebinquiche é uma lagoa coberta por placas de sal.

Vulcões

Os vulcões são avistados no horizonte. São grandes e possíveis de conhecê-los bem de perto. Os mais famosos são o Lascar, com seus 5600 metros, e o Licancabur, com 5900 metros. É bom ter calma para conquistar a cratera.

Yerbas Buenas

Em Yerbas Buenas é possível viajar no tempo. Não por um buraco negro mas pelos hieróglifos grafados pelos atacamenhos e datados 10 mil anos atrás, povo que emprestou o nome à Atacama. O interessante é buscar por essas inscrições e perceber o cotidiano de quem habitou essas paredes rochosas.

O deserto é o espelho de outros mundos. Assim é no Atacama, que abrange fronteiras com países vizinhos. Do seu chão pode-se avistar as estrelas ou até experimentar outros mundos, como Marte. Há semelhanças em suas formas e imaginário. Contudo, algo que ninguém pode duvidar é do seu pôr do sol único, da sua paisagem lapidada pelo tempo e pelos mistérios dos povos antepassados da região. Nem a altitude e o tempo seco impediram que a vida florescesse ali.

Envie um e-mail para agencia@rdcviagens.com.br solicitando um pedido de cotação. Lembre-se de informar a quantidade de pessoas e o período da sua viagem. Se preferir, entre em contato pelo telefone (11) 2172-0270, 2ª a 6ª feira, das 9h às 19h e boa viagem.

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