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Athos Bucão – Brasília em arte

Descubra a capital do país por meio das obras de Athos Bulcão, artista que aproximou a arte da população, transformando a “cidade monumento” em um museu a céu aberto.

Quem já conhece Brasília há de concordar que a paisagem nativa do cerrado e seu tom marrom cru são constantemente invadidos por uma infinidade de cores e formas que se fundem ao conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade e transformam a capital federal em uma verdadeira obra de arte. E não é para menos!

Com uma essência extraordinariamente organizada, graças à expertise do arquiteto e urbanista Lucio Costa – que em 1957 conferiu personalidade própria à capital da República, por meio do seu Plano Piloto minuciosamente delineado para a construção da nova capital – Brasília ainda apresenta por toda a sua extensão os traços da arquitetura de Oscar Niemeyer e do paisagismo de Burle Marx, que se misturam a obras de artistas renomados e dão vida à capital.

Em meio a tantas influências, no entanto, é de Athos Bulcão, artista plástico carioca que aprendeu com Cândido Portinari os segredos da paleta cromática e que chegou ao Planalto Central em 1958 com a missão de integrar arte e arquitetura, o mérito por destacar e embelezar com talento e sensibilidade o concreto dos principais cartões-postais da cidade com cores fortes e elementos em relevos, considerados símbolos de modernidade e que contribuíram para dar a Brasília o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

Para onde quer que se olhe na capital federal é possível encontrar intervenções abstrato-geométricas de Athos Bulcão intensificando harmoniosamente curvas arquitetônicas, seja por meio de azulejo, cerâmica, madeira, fórmica, ferro, vidro, mármore ou concreto. Até mesmo quem nunca visitou Brasília certamente já viu uma de suas obras. O painel de metal esmaltado que contorna o Plenário Ulysses Guimarães da Câmara dos Deputados, por exemplo, constantemente figura como plano de fundo de diversos acontecimentos importantes da história da política brasileira transmitidos em rede nacional .

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E é exatamente essa a essência da arte de Athos Bulcão: estar integralmente exposta para o público, não em museus ou galerias, mas em fachadas, painéis, divisórias, paredes e muros por toda a cidade, acariciando com arte, de forma silenciosa e discreta, a todos que visitam a capital do país.

Para facilitar a sua imersão no universo do artista, relacionamos algumas obras-chave, com o auxílio da Fundação Athos Bulcão – Fundathos, que irão orientar a sua busca por cultura em meio a um patrimônio riquíssimo e repleto de belezas cênicas. Logo você perceberá que o mais interessante na arte de Athos Bulcão é que, apesar de muitas pessoas possuírem pouco ou nenhum conhecimento sobre o artista, basta apreciar uma de suas obras para adquirir a capacidade de identificar todas as outras. Por isso, permita-se vivenciar Athos Bulcão em sua essência!

1. Brasília Palace Hotel – Painel de Azulejos – 1958

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Inaugurado juntamente com o Palácio da Alvorada, o Brasília Palace Hotel, projetado por Oscar Niemeyer, foi tradicional ponto de encontro de pioneiros, políticos e diplomatas na década de 60, além de hospedar os visitantes da nova capital. Entre o jardim externo e o salão de festas, o painel de azulejos, criado por Athos Bulcão, se sobressai à primeira mirada pelo contraste de cores: azul e branco. O efeito visual é forte e impactante. São dois tipos de azulejos composto por um único de peça, de tamanho 11cm x 11cm, com formas e cores que se alternam, de modo que o resultado é um jogo positivo/negativo. Apesar da simplicidade da concepção, a composição final, em razão do fundo-figura, leva a um embaralhamento perceptivo, que produz um efeito cinético. Praticamente destruído por um incêndio em 1978, teve sua reconstrução concluída em 2007. A restauração do painel de azulejos e do afresco da parede do salão principal, ambos de autoria de Athos, foram entregues na mesma data. (Fundathos)
Endereço: SHTN, trecho 1, Lote 1

2. Igrejinha Nossa Senhora de Fátima – Painel de Azulejos – 1958

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Projetada por Oscar Niemeyer em formato de chapéu de freira, a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima foi o primeiro templo de alvenaria inaugurado na capital do país e foi construída a pedido da então primeira-dama Sara Kubitschek, para agradecer a Nossa Senhora de Fátima pela cura de sua filha. As paredes externas da Igrejinha foram as primeiras a serem trabalhadas em Brasília com a arte de Athos Bulcão e as únicas cujo painel é um trabalho figurativo, com a pomba representando o Espírito Santo e a estrela representando a estrela de Belém, que guiou os reis magos até o menino Jesus. (Fundathos)
Endereço: Entrequadra Sul 307/308
Horário de visitação: Diariamente, das 8h às 12h e das 13h às 19h
Missas: De terça a sábado, das 6h30 e 18h30. Domingos às 7h, 9h, 11h, 18h e 19h30

 3. Teatro Nacional Cláudio Santoro – Relevo em concreto – 1966

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Conhecido apenas como Teatro Nacional, esta obra, também projetada por Oscar Niemeyer, é a favorita de Athos Bulcão e o principal símbolo de integração da arte à arquitetura no Brasil. Sua área externa, em forma de pirâmide irregular, é revestida por um painel formado de blocos em formato de cubos e retângulos de concreto nas laterais, que, seguindo uma solicitação de Niemeyer, proporcionam uma sensação de leveza com a luz do sol e de peso com a sombra, adquirindo movimento cíclico ao longo do dia.  O relevo da obra é também chamado de “o sol faz a festa”. A área interna e a cobertura do teatro também possuem obras de Athos Bulcão, produzidas em diferentes materiais. (Fundathos)
Endereço: Setor Cultural Norte, Via N2
Horário de funcionamento: Diariamente, das 9h às 21h

4. Parque da Cidade Sarah Kubitschek – Paradas de descanso: Painel de Azulejos – 1985

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Com 4,2 milhões de metros quadrados, o Parque da Cidade, como é popularmente chamado, foi concebido pelo paisagista Roberto Burle Marx e possui quadras poliesportivas, lagos artificiais, parques infantis, churrasqueiras, pista de kart, hípica, mesas para piqueniques, ciclovia e pista de skate. Ao longo dos 10 km de pista de corrida e ciclismo, estão 16 paradas de descanso no Parque, projetados pelo arquiteto Glauco Campello, nas quais os frequentadores podem fazer uso dos banheiros, sentar sob a sobre das marquises e tomar água gratuitamente. Suas paredes de alvenaria são revestidas por um painel de azulejos criado por Athos Bulcão. A obra é uma composição abstrata formada por um padrão de peças de cor preta, estampada em fundo branco e entremeada de azulejos lisos brancos, que são dispostos em sentidos variados e de forma aleatória. O contraste produzido pelas cores e pela contraposição figura-fundo faz os painéis visíveis a distância, contribuindo para que as paradas de descanso sejam facilmente localizadas no amplo espaço do Parque. (Fundathos)
Endereço: Eixo Monumental
Horário de visitação: Diariamente, das 5h às 24h

 

 Sobre o artista

Athos Bulcão nasceu em 2 de julho de 1918, no bairro de Catete, Rio de Janeiro, mas cresceu em Teresópolis, juntamente com seus irmãos Jayme, Dalila e Mariazinha. Após a morte da mãe, Maria Antonieta da Fonseca Bulcão, Athos passou a ser criado pelas irmãs que, por influência do pai, Fonseca Bulcão, sócio e amigo do escritor Monteiro Lobato, aprenderam a apreciar a arte e levavam o pequeno Athos ao teatro, salões de arte, óperas e comédias francesas. Mesmo tímido, Athos se tornou amigo de alguns dos mais renomados artistas brasileiros modernos, como Jorge Amado, Fernando Sabino, Enrico Bianco, Paulo Mendes Campos, Carlos Scliar, Vinicius de Morais, Manuel Bandeira, entre outros, que exerceram expressiva influência em sua formação. Ao completar 21 anos, essas referências artísticas o apresentaram a Portinari, com quem dividiu, em 1945, a execução do Mural de São Francisco de Assis, da Igreja de São Francisco, na Pampulha, Belo Horizonte/MG. Essa experiência lhe rendeu conhecimentos importantes sobre desenhos e cores. O amor pela arte se sobressaiu tanto em sua vida, que Athos Bulcão abandonou o curso de medicina em 1939. Em 1944, Athos fez sua primeira exposição, durante a inauguração da sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Em 1958, mudou-se para Brasília para, em parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer, dar luz, cor e vida ao sonho de Juscelino Kubitschek de construir a capital do Brasil. Athos morreu em 31 de julho de 2008, aos 90 anos, de Mal de Parkinson.

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Conheça mais sobre a obra do artista acessando o site da Fundação Athos Bulcão: www.fundathos.org.br.

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*Texto publicado na revista RDC Férias&Lazer. Ed.47

 

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