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De fortes a mirantes espetaculares

Construções militares erguidas há mais de 400 anos contam arquitetonicamente nossa história e oferecem vistas incríveis do continente e do mar

Portugueses, ingleses, espanhóis, franceses e holandeses que em algum momento da nossa história tiveram interesse no território brasileiro foram responsáveis pela construção de mais de 350 fortes, fortificações e fortalezas no Brasil ao longo de 250 anos. A maior parte dessas construções está localizada no litoral, em pontos elevados da encosta para uma visão ampla, livre e espetacular da área considerada estratégica para a segurança. Também há fortes posicionados às margens de rios, como o maior do Brasil, o Real Forte do Príncipe da Beira, em Rondônia, construído no século 18 na margem direita do rio Guaporé, a pedido do Marquês de Pombal, para demarcar a fronteira portuguesa na Amazônia.

Conhecer os fortes brasileiros é viajar no tempo. Desenvolver um roteiro temático com essa finalidade pode resultar numa viagem diferente, divertida, criativa, repleta de belezas cênicas, de praias, de rios, de localidades históricas, de museus que contam a história sob o ponto de vista da defesa do nosso território, de como a nossa geografia política foi desenhada e de muitas descobertas. Confira alguns fortes que são perfeitos belvederes.

Fortaleza de São José da Ponta Grossa – Praia do Forte – Florianópolis, SC

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A vista da fortaleza é espetacular – um dos mais belos panoramas da Baía Norte da Ilha de Santa Catarina e do continente. Localizada no alto do Morro da Ponta Grossa, entre as praias do Forte e Jurerê, a fortaleza de 3.954 m² foi construída no século 18. É um dos vértices do triângulo de defesa formado com as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e de Santo Antônio de Ratones para proteger das invasões estrangeiras e consolidar a ocupação do sul do Brasil Colônia pelos portugueses e base estratégica para manutenção da disputa pela Colônia do Sacramento.  Todas as fortalezas estão abertas à visitação, mas a de São José é a única com acesso também por terra. Percorra as rampas de pedra, conheça os prédios distribuídos em três níveis do terreno, construídos em alvenaria de pedras com argamassa e reboco de cal de conchas e areia. No Quartel da Tropa, por exemplo, artesãs de renda de bilro, herança açoriana, trabalham no local, expõem e também comercializam sua arte.

Forte de Copacabana – Praia de Copacabana, Rio de Janeiro/ RJ

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O passeio pode se restringir a “apenas” caminhar rodeando a muralha de pedra de 12 metros de espessura, escolher o melhor ângulo, sentar nos banquinhos espalhados pelo caminho e apreciar a paisagem. E que paisagem! O mar se abrindo para beijar toda a orla de Copacabana. O forte, inaugurado em 1914, abriga o Museu Histórico do Exército e oferece exposições que contam a história militar do Brasil, com documentos, maquetes e objetos.  Na ponta do Forte, encontra-se o espaço aberto “Cúpula dos Canhões” onde é possível  ver de perto os canhões alemães Krupp e apreciar outra vista espetacular que se abre do Forte ao Arpoador. Para finalizar, observe o pôr do sol sentado de frente para a orla de Copacabana numa das mesas do Café 18 do Forte, filial da centenária Confeitaria Colombo.

Forte São Matheus – Praia do Forte, Cabo Frio/RJ

Do alto do forte se avista um dos mais belos cenários do litoral brasileiro num oceano profundamente azul: a orla de Cabo Frio, o Canal de Itajuru e a Ilha do Japonês. O forte, construído pelos portugueses em 1620 para defender o território de possíveis invasões de ingleses, franceses e holandeses em busca de pau-brasil, também é belíssimo, bem conservado e de fácil acesso a pé pela Praia do Forte.

Forte Orange-  Ilha de Itamaracá, 50 km de Recife/PE 

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O forte foi construído por militares holandeses da Companhia das Índias Orientais,  após invadirem Pernambuco em 1630. Desde 1654, com a reconquista portuguesa, a construção sofreu diversas mudanças estruturais e também no nome, foi batizado como Forte de Santa Cruz. Recentemente, durante o processo de restauração, constatou-se que a edificação holandesa estava debaixo da portuguesa. Em 2003, arqueólogos encontram a porta de entrada do forte holandês escondida sob 1,2 mil toneladas de areia no terrapleno, entre a muralha e a contra muralha.

Forte das Cinco Pontas- Bairro São José, Recife/PE.

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A vista não poderia ser mais bonita e a localização mais estratégica: no encontro do Rio Capibaribe com o mar. O forte foi construído pelos holandeses em 1630, durante a ocupação de Pernambuco e tinha a função de defender e  também de abastecer a cidade, graças às soluções de engenharia de contenção de mananciais de água potável. Durante a revolta luso-brasileira, em 1654, o forte foi palco da rendição dos holandeses. Originalmente construído em taipa no formato de estrela foi restaurado pelos portugueses, edificado em pedra e cal e modificado para 4 pontas. Passou a ser denominado Forte São Tiago.

Forte São Marcelo – Em frente ao Mercado Modelo , Salvador/ BA

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Isolado como uma ilha no meio do mar, o único forte em formato circular do Brasil faz parte de uma das composições cênicas mais bonitas da Baía de Todos-os-Santos vista do Elevador Lacerda.  Do ponto de vista do  forte,  é possível observar novos ângulos da Baía e o pôr do sol reserva uma paisagem de cair o queixo. O forte, também chamado Forte do Mar,  foi construído em 1623,  inspirado no Forte de São Lourenço do Bugio, localizado na foz do rio Tejo. Restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ganhou salas de exposições, instalações cenográficas e simuladores digitais de naus e canhões.

Forte dos Reis Magos- Natal/RN

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O cenário visto do alto do forte é aquele de cartão-postal: contraste entre a construção  de 1598, canhões expostos  e a Ponte Newton Navarro ao fundo, no encontro do mar com o rio Potengi. Construído em formato de estrela  pelos portugueses no período colonial foi dominado pelos holandeses em 1633 e retomado pelos portugueses, conforme o documento Marco de Touros, exposto no Museu do Forte, que comprova a posse portuguesa.

Confira em nosso blog as 19 fortificações, de dez estados brasileiros, que pleiteiam o título de Patrimônio Cultural Mundial da Humanidade e que contribuíram para definir as fronteiras marítimas e fluviais do país.

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer – Ed. 56

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