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Deixe-se surpreender pela energia da Ilha do Marajó

Na terra do carimbó e da cerâmica marajoara, natureza e cultura convivem lado a lado

“Que carimbó é esse. De toque maneiro, gostoso, brejeiro. De onde é que tu é. Das cabeceiras dos rios, dos lados dos igarapés. Onde a canarana é viçosa e o tapete é mururé”. Da voz de Dona Onete saem os versos de “Carimbó Chamegado”. A canção, que também dá nome a um subgênero do tradicional carimbó paraense, consagrou a cantora como a Diva do Carimbó Chamegado, ritmo que ela mesma inventou. Dona Onete nasceu na pequena cidade de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, e começou a cantar ainda criança, a fama, porém, só veio depois dos 70 anos com o lançamento do seu primeiro disco, “Feitiço Caboclo”. Desde então, ela já levou o seu carimbó em turnês pela Europa, Estados Unidos e diversas capitais do Brasil.

A música de Onete diz muito sobre as características culturais e naturais do Pará, onde a diversidade cultural, aos poucos, sai da regionalidade para ganhar espaço nos palcos do Brasil e do mundo, levando à cena novos nomes, como Felipe Cordeiro, Jaloo, Lia Sophia e os já mais conhecidos, Calypso e Gaby Amarantos, que mais do que compositores e intérpretes, são responsáveis por exaltar e propagar a cultura amazônica por meio da dança e música paraense, em ritmos como o carimbó, a guitarrada, o lundu, o tecnobrega e a lambada. E é a partir da riqueza cultural que o Pará nos convida a uma visita à Ilha do Marajó. Que não é apenas uma ilha, é o maior arquipélago marítimo-fluvial do mundo, composto por 16 munícipios e banhado pelas águas do Oceano Atlântico e dos rios Amazonas e Tocantins.

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Para se chegar ao Marajó, quem vai sem carro, deve pegar um barco no Terminal Hidroviário, localizado na região portuária de Belém, próximo à famosa Estação das Docas. Já quem pretende ir de carro, é preciso pegar a balsa que sai do Porto de Icoaraci, a 20 km da capital. A viagem dura cerca de três horas e meia até o Porto de Camará, em Salvaterra, que, junto a Soure, se destacam como as principais localidades visitadas no arquipélago. Quando se chega ao Porto, é necessário pegar um ônibus, van ou táxi para ir até o centrinho de Salvaterra (25 km) ou de Soure (30 km). Mas esse é o jeito clássico de chegar. Agora, com a lancha rápida (catamarã) da Tapajós Expresso, inaugurada em novembro de 2015, o trajeto até Soure é feito em duas horas (e dá para comprar a passagem pela internet). Já a lancha rápida da Banav Express demora cerca de uma hora e meia até Camará, ambas partem do Terminal. Há também a possibilidade de ir de avião, a recém-inaugurada rota Belém-Soure leva o visitante em 20 minutos. O voo sai do hangar do Aeroporto de Belém, de segunda a sexta-feira, e faz parte do programa “Voe Pará”, iniciativa da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), que tem como objetivo facilitar o acesso para o desenvolvimento do turismo no Marajó.

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Escolhida a melhor forma de chegar à Ilha, agora é hora de escolher onde ficar: Salvaterra ou Soure? Separadas pelo Rio Paracauari, com trajeto feito de balsa, Salvaterra é um pouco mais rústica do que a vizinha, mas nem por isso deixa de ter paisagens aprazíveis. A pedida é o passeio até as ruínas jesuíticas na Praia de Joanes e a Praia Grande. Já Soure é considerada a “capital” do Marajó e tem a praia mais famosa do local, a Praia do Pesqueiro, onde se pode ter o privilégio de ver o encontro entre o rio e o mar, as pequenas dunas, as barracas de palafita que servem peixes fresquinhos ao som do tecnobrega e os búfalos que ficam esperando a hora de dar uma voltinha com os turistas. Já que lá tem o maior rebanho do animal no Brasil, o búfalo acaba sendo utilizado para diversas finalidades, inclusive como “táxi” nas carroças que puxam. A praia fica a 10 km do centrinho de Soure, se estiver sem carro, vá de táxi ou moto-táxi. Já a praia Barra Velha está a 3 km do centro e é acessada a partir de uma passarela que passa por um mangue de visual bem bonito. Há outras praias, como Araruna e Mata-Fome.

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Explore a região. Visite a Fazenda São Jerônimo e a Bom Jesus para entrar em contato com a flora e a fauna local. Passeie pelos igarapés. Vá ao Mercado Municipal, além de peixes e frutas, é possível comprar essências à base de ervas amazônicas. Prove o suco e o chopp (que não é cerveja, é geladinho para o paulista e sacolé para o carioca) das frutas exóticas, como bacuri, açaí, graviola, uxi, cupuaçu e taperebá. Visite a Casa da Cultura e o Centro de Artesanato. Para lembrancinhas, vá ao Ateliê Arte Mangue Marajó, à Sociedade Marajoara das Artes ou ao Mbarayo Cerâmica. Lá, você pode encontrar réplicas da arte marajoara, principalmente cerâmica, que foram desenvolvidas, originalmente, pelos primeiros habitantes da Ilha e é considerada a mais antiga arte cerâmica do Brasil e uma das mais antigas das Américas. Se tiver pique, vá até o Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari, a 60 Km de Soure em estrada de terra.

Para ver uma apresentação de carimbó, escolha ir na alta temporada, a chance de encontrar a atração é maior. A melhor época para ir é em junho e julho. Nos primeiros meses do ano, chove muito, já nos últimos meses, é muito calor. Mas, em qualquer época do ano, a gastronomia é ponto alto da visita. Prove a manteiga, a carne e o queijo de búfalo, são muito saborosos. O Filé à Marajoara é a prova disso, carne e queijo derretido que levam molho à base de fruta e extrato de tomate. Vá de Frito do Vaqueiro, feito com a parte dianteira do búfalo. Experimente o tacacá. Não deixe de provar o Caldo de Turu, um molusco, parecido com ostra, que nasce dentro da madeira nos mangues.

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Nos passeios, aproveite a oportunidade para conversar com os nativos, o povo marajoara é acolhedor e simpático, eles fazem de tudo para que você se sinta bem. E você, certamente, se sentirá bem com a natureza intocada e as lindas paisagens rústicas. É a calmaria que você precisa para se reconectar com as energias da natureza e, assim, esquecer um pouco da correria das grandes cidades e também o celular, já que lá o sinal não pega muito bem. A dica é: leve repelente, protetor solar, dinheiro em espécie, tome a vacina de febre amarela e esteja aberto para se divertir e relaxar com simplicidade.

Serviço: Tapajós Expresso. Mais informações: http://www.tapajosexpresso.com.br
Voo Belém-Soure. Mais informações: http://bonnaviagens.com.br – (91) 32466691 / 30863964

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer Ed. 54

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