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Descubra o sol da Paraíba

Das urbanas às selvagens, as praias são o ponto alto do roteiro que também é recheado de curiosidades históricas

A Paraíba, com ênfase no artigo feminino, é um dos dois únicos estados brasileiros que levam o feminino em seu nome e história. Para além da ideia errônea atrelada ao “Paraíba masculina, mulher-macho sim senhor” do consagrado forró, de acordo com estudiosos locais, é sabido que a música não falava da mulher paraibana, mas da bravura na figura de João Pessoa, até então vice de Getúlio Vargas, em representar o pequeno estado na disputa eleitoral que culminou na Revolução de 1930. A ideia de mulher-macho é, então, um atributo relacionado ao estado da Paraíba. Sua capital, antes de se chamar João Pessoa, que veio como homenagem ao político que foi assassinado, era nomeada como “Parahyba do Norte, apesar de já ter tido outros nomes no passado.

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Jampa, como é conhecida informalmente, é a terceira cidade mais antiga do Brasil e suas principais atrações turísticas estão representadas por elementos que também se ligam ao feminino, como a própria ideia da “mãe natureza”. Apesar de a cultura ser forte, o turismo voltado à natureza é o maior fator de visitação da região. Temos então, por exemplo, a Ponta do Seixas, que faz a cidade ser o ponto mais oriental das Américas, caraterística comumente resumida à expressão “onde o sol nasce primeiro”. E de fato nasce. A partir das 5h da manhã já é possível desfrutar das lindas praias urbanas da capital e também das selvagens na Costa do Conde, assim como as piscinas naturais e as reservas de Mata Atlântica nas áreas de proteção ambiental. A tranquilidade e qualidade de vida são outros predicados que fazem da capital paraibana um lugar interessante para conhecer em suas próximas férias.

Embora seja uma cidade grande, a capital tem ares de interior e é impossível não se impressionar com sua arborização e urbanização. A começar pela orla, superbem estruturada. O extenso calçadão compreende as praias de Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa, as principais da cidade. A praia de Tambaú, onde está localizado o famoso hotel construído sobre suas areias, é a mais movimentada da região e conta com uma feirinha de artesanato bem próxima da orla, além do Mercado de Artesanato Paraibano (MAP) que também fica perto e oferece uma grande variedade de peças e bons preços. É dessa praia que saem os catamarãs em dias de maré baixa para visitar a formação de recifes de corais das piscinas de Picão e Picãozinho. Se você é fã de mergulho e de peixinhos, é uma boa ideia visitá-las, assim como a piscina da Ponta do Seixas. Colada com Tambaú, mas com menos movimento, está a extensa Cabo Branco, que reúne vista paradisíaca com estrutura urbana e uma ciclovia que convida a pedaladas no fim de tarde. Dois outros importantes pontos turísticos de mesmo nome estão presentes, o Farol, construído em formato triangular sobre uma falésia para simbolizar a vista para o ponto mais oriental, e a Estação Cabo Branco, edifício projetado por Oscar Niemeyer dedicado às ciências, artes e cultura.

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Já Manaíra não é recomendável para banhos, no entanto, é o local em que estão reunidas ótimas opções para fazer compras, principalmente nos dois shoppings presentes no bairro. Lá também se encontra o restaurante típico mais famoso de João Pessoa, o Mangai, que serve buffet com infinitas variedades de pratos regionais, além de toda uma ambientação cênica que remete ao sertão nordestino. Vale a pena experimentar! A praia do Bessa, ao contrário das outras urbanas, tem um ar maior de rusticidade natural pela formação de restingas que margeiam essa praia de águas calmas e esverdeadas, que até por isso ganhou um apelido dos locais: “Caribessa”. A alusão ao visual do Caribe se une aos ventos fortes favoráveis aos esportes náuticos e também aos mergulhos que são convidativos para avistar as embarcações naufragadas que abrigam vida marinha.

Ao norte do litoral está a cidade de Cabedelo, que além de reunir ótimas praias inclusive para surf, é palco para o passeio ícone da viagem à Paraíba: o pôr do sol na Praia do Jacaré, no Rio Paraíba, ao som do Bolero de Ravel tocado pelo Jurandy do Sax. O sol se põe na água e é a partir de um barquinho que o músico espalha o som do seu saxofone para centenas de turistas e moradores que esperam ávidos por esse espetáculo da natureza que acontece pontualmente às 17h. A paisagem natural rende várias fotos maravilhosas que nem precisam de filtros tampouco conhecimentos avançados em fotografia. Basta clicar e levar uma linda recordação das férias. O local conta ainda com uma estrutura de bares e lojinhas de artesanato.

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Já no litoral sul, no município de Conde, cerca de 20 km da capital, é possível encontrar praias com bem menos infraestrutura, mas que compensa no visual e na preservação ambiental. Entornada por natureza de beleza rústica, as praias dessa região ostentam belas falésias, como a chamada Dedo de Deus, localizada entre as praias do Coqueirinho e Tabatinga. A do Coqueirinho como bem diz o nome é toda margeada por coqueiros e falésias coloridas, além das águas cristalinas e calmas, apesar de sua profundeza. É mais movimentada do que a vizinha Tabatinga que também encanta pelas mesmas qualidades naturais, porém como bem menos estrutura de serviços. Outras praias completam o roteiro na Costa do Conde, como a Gramame, a do Amor e Jacumã. No entanto, a mais falada de todas é a Tambaba, que está dividida em duas partes: uma que você vai com roupas de banho e a outra sem. Ela é a primeira praia oficial de naturismo no Nordeste e se você não tiver pudores com o corpo, vale a experiência da sensação de liberdade de nadar nu. Ao optar por atravessar o outro lado da placa que determina ser uma área naturista, esteja ciente que é obrigatório tirar toda a roupa. Dizem também que homem desacompanhado não entra sozinho. Se você não se sentir confortável com a nudez, curta a outra parte da praia que também é muito bonita.

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O melhor jeito de fazer todo esse trajeto de praias é alugando um carro, que pode ser bem útil até para chegada ao hotel, já que o aeroporto fica na cidade vizinha, em Bayeux, que está a cerca de 20 km da região dos hotéis. Outra opção é contratar serviço de receptivo/transfer.  O passeio em Conde também pode ser feito com bugueiros, se for o caso de querer mais emoção nas vias de terra que dão acesso às praias, porém um carro pode sair mais vantajoso tendo em vista a facilidade de locomoção para outros passeios. Uma outra dica é comprar pelo menos um city tour guiado, as informações dos guias especializados ajudam a entender a história e as curiosidades dessa cidade que hoje tem as praias como principais atrativos, mas que não foi povoada a partir do litoral. A verdade é que João Pessoa nasceu no centro da cidade e só depois de muito tempo que passaram a explorá-la como balneário. Por isso, conhecer o centro histórico pode ser bem legal para saber onde tudo começou.

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A Praça Antenor Navarro, na Cidade Baixa, e seus casarios coloridos e bem conservados do início do século 20 rendem boas fotografias. Lá também é uma opção para curtir o fim de tarde nos bares da região. O Hotel Globo, edifício construído em 1929 que hospedou diversas personalidades, é outro lugar interessante para curtir o pôr do sol com vista para o Rio Sanhauá, além da coleção de arte disposta no local. A Casa dos Azulejos toda revestida por azulejos azuis portugueses também é um ícone do centro. E para quem gosta de visitar igrejas existem algumas opções, como a de São Pedro Gonçalves, a Nossa Senhora do Carmo juntamente com o Palácio Episcopal e também o Centro Cultural São Francisco, composto pela igreja São Francisco e o Convento Santo Antônio, que representam uma grande herança do barroco brasileiro.

Diante de tantas belezas naturais e culturais, o que falta agora é só se programar e estar aberto à experiência de troca com os paraibanos, que por sinal são muito simpáticos com os turistas.

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer – Ed. 57

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