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Jorge Amado, seu guia turístico em Salvador

No livro “Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios”, de 1944, Jorge Amado, convida uma amiga imaginária a conhecer Salvador, se colocando à disposição para ser seu guia turístico. Mas faz um alerta: não será um cicerone convencional: “Com ele não verás apenas a casca amarela e linda da laranja. Verás igualmente os gomos podres que repugnam ao paladar”.

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Assim, convidamos você a conhecer Salvador com o olhar crítico, mas apaixonado, de Jorge Amado. Era assim que ele apresentava a Bahia ao mundo. Vamos caminhar pelas ruas de Salvador com ele?

 “Ah! moça, esta cidade da Bahia é múltipla e desigual. Se amas a humanidade e desejas ver a Bahia com olhos de amor e compreensão, então serei teu guia, riremos juntos e juntos nos revoltaremos…Os sobradões te esperam. Os azulejos provêm de Portugal e desbotam hoje ainda mais belos. Lá dentro a miséria murmura pelas escadas …”

O Centro Histórico de Salvador compreende os bairros do Pelourinho, da Sé e do Pilar. É o maior conjunto arquitetônico do período colonial da América Latina. Em 1985 foi declarado pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade e, desde então, vem passando por diversos processos de preservação histórica, com ações de restauração e revitalização.

“Verás as igrejas, grávidas de ouro. Dizem que são trezentas e sessenta e cinco. Talvez não sejam tantas, mas que importa? Onde estará mesmo a verdade quando ela se refere à cidade da Bahia?”

Popularmente se diz que Salvador possui uma igreja para cada dia semana, portanto, 365. Em verdade, segundo a Arquidiocese de São Salvador, atualmente são 372 igrejas, dezenas de grande valor histórico e quatro basílicas: a do Mosteiro de São Bento, a da Conceição da Praia, a do Senhor do Bonfim e a Catedral. Algumas igrejas foram construídas no século 16 e muitas, nos séculos 17 e 18, como a Igreja e Convento de São Francisco. Foi considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesas do Mundo.

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“Vem e serei teu cicerone. Juntos comeremos no Mercado sobre o mar o vatapá apimentado e a doce cocada de rapadura. Serei teu cicerone mas não te levarei, apenas, aos bairros ricos, de casas modernas e confortáveis, Barra, Pituba, Graça, Vitória, Morro do Ipiranga”.

O Mercado Modelo, construído em 1861, é um prédio em estilo neoclássico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional , IPHAN. Tem 263 lojas que oferecem artesanatos baianos, restaurantes , mini bares e espaço cultural e artístico para apresentações como rodas de capoeira ao som de berimbaus e outras atrações.

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“Se subires o Tabuão, zona de mulheres que já perderam a última parcela de esperança nos quinto-andares de prédios aleijados, nunca saberás ao certo se é uma rua maravilhosa de pitoresco, com suas janelas coloniais e suas portas centenárias, ou se é apenas um hospital enorme, sem médicos, sem enfermeiras, sem remédios”.

Hoje, a Rua Taboão, localizada no Centro Histórico de Salvador, vizinha à Avenida José Joaquim Seabra (Baixa dos Sapateiros) é referência na venda de tecidos, estofados e plásticos há muitas décadas.

“Em ônibus superlotados iremos à Estrada da Liberdade, bairro operário, onde descobrirás a miséria oriental se repetindo nos casebres das invasões, Massaranduba, Coreia, Cosme de Faria, Uruguai, iremos aos cortiços infames, cruzaremos as pontes de lama dos Alagados”.

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Alagados é uma região com peso histórico em Salvador. Engloba os bairros Uruguai, Jardim Cruzeiro, Massaranduba. Irmã Dulce escolheu a região para iniciar seus trabalhos de assistência social. Na década de 1950 começaram as obras de aterro de toda a região. “Alagados” é tema da música e letra, sucesso do grupo “Paralamas do Sucesso”.

“No Mercado das Sete Portas, nos pobres pratos de flandres o sarapatel te espera, escuro e gostoso. Os potes e as moringas de barro que comprarás, as redes para a sesta, os inhames e aipins, as frutas coloridas. Se vieres, a feira terá outra animação, beberemos cachaça com ervas aromáticas”.

Poetas e músicos continuam frequentando o Mercado das Sete Portas. Desde 1940, quando foi construído, faz parte da história de Salvador como reduto de boêmios e onde os frequentares sentem-se com se estivessem num livro de Jorge Amado, em meio barracas de frutas e verduras, carnes, bares e restaurantes.  Está localizado no centro de Salvador e recebeu esse nome por causa das suas sete portas de acesso.

“Quando a viola gemer nas mãos do seresteiro, nascido na Bahia, filho de sua poesia e sua dor, não reflitas sequer, pois a cidade mágica te espera e eu serei teu guia pelas ruas e pelos mistérios”.

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