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Maceió: uma cidade de vida eterna

“Comovo-me em excesso, por natureza, e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões.” Assim escreveu Graciliano Ramos, um alagoano que foi um importante representante da literatura brasileira. Não tem como mencioná-lo e esquecer da sua obra “Vidas Secas” e da cachorra mais humana da literatura nacional, Baleia. Ela, com certeza, acordou em um mundo feliz, repleto de preás e deixou para traz o árido da existência. De fato, as paixões de Graciliano foram transformadas em palavras e a gente sempre se pega lendo um trecho e outro, como esse do início do texto.

Uma vida sem paixões é algo tão impossível, principalmente quando se fala de Maceió. Dizem que é a orla mais fotogênica do Nordeste e tem como provar! Vide as suas águas azuis e verdes, barreiras de corais, arreia açucarada e todo aquele ar de Caribe sem ao menos sair do país. Chegar na cidade é deixar para traz todos os dissabores de uma sina e chamar para si alguma paixão ou se comover mais que as expectativas. Avia, há praias, há mar, há rio, há histórias, há paixões de sobra para você.

Uma história misteriosa e outras engraçadas

Toda cidade tem a sua lenda urbana, em Maceió é a história da mulher da capa preta. O causo se apresenta em uma festa, dessas que os homens chamam para dançar a moça que lhe mais agradou as vistas. Pois bem, o pobre rapaz que, naquela altura, não sabia que iria suceder, chamou para o salão a moça. Dançaram e conversaram a noite toda, até o relógio marcar meia noite. Como a Cinderela, ela tinha que partir. Estava chovendo e com toda educação da época, ele concedeu a proteção de sua capa preta à menina. Seguiram até a porta do cemitério, onde a moça ficou. Antes da despedida, disse um endereço, deixando no ar a promessa do amanhã. No dia seguinte, cheio de esperanças, o rapaz foi procurá-la. Bateu na casa, foi recebido por um casal, mas não havia ninguém com aquele nome, a não ser a filha que já havia morrido com o mesmo nome e aparência.  Ele custou entender que não se tratava de uma piada de mal gosto, até ir ao cemitério e ver o túmulo da moça do baile.

Há 100 anos essa história é contada e fielmente acreditada. Ergueram no túmulo, que é verídico, uma capa preta de granito para lembrar uma história de amor de outro mundo. O lugar ficou famoso e atrai muitos curiosos em buscas de causos. Entretanto, os causos parecem ser parte de quem vive por lá!

Quem disse que passaporte não é de comer

Passaporte é um famoso lanche de Maceió, uma variação do famoso cachorro-quente com tudo que se tem direito, inclusive carne moída. Ganhou espaço no paladar alagoano devido um homem que foi tentar a vida na cidade. Juntamente com um sócio, abriu um trailer que vendia lanche, lá em meados dos anos 70.

Com o tempo, a união entre os sócios não deu certo, dissolvendo-se. Com medo de ter que voltar para a terra natal, decidiu abrir seu próprio negócio. Pôs-se a pensar numa forma que seria o seu passaporte para permanecer em Alagoas. E não é que foi o começo do Passaporte Gaúcho, um cantinho que fincou raiz em Maceió, virou um ponto para se fazer uma boquinha e há 40 anos atende o público em busca de um lanche rápido!

Gostinhos de Maceió

Viajar é mais que conhecer um lugar, é ter a oportunidade de dar um mergulho em outra cultura. O Brasil é tão multicultural que cada lugarzinho reserva um pedaço de tantos outros Brasis. Um aspecto que sempre é bem-vindo a todo turista por excelência é provar os sabores dos lugares. A culinária maceioense é baseada no mar e também na tríade europeia, africana e indígena. Pois bem, Maceió tem seu gostinho tão caprichado e característico, que é uma heresia ir para lá e não se acabar nas barracas de tapioca ou no sururu.

O sururu é a verdadeira composição da paisagem alagoana. Não é para menos, um lugar em que se concentra o maior número de lagoas do país, também é o maior produtor desse molusco. Assim, nasce uma identificação de evocação à memória, aos sentimentos nativos e ao paladar que não tem igual. Um prato consumindo desde quando tudo começou em terras alagoanas, principalmente quando vira Sururu de Capote, preparado com leite de coco, tomate, cheiro verde e mais temperos. É servido juntamente com o pirão, mandioca e pimenta – claro. Não tem como ter um Alagoas sem Sururu.

Pontal da Barra, um bairro conhecido pelo seu lado gastronômico e das rendeiras da cidade, fica à beira da Lagoa Mandaú e é um lugar marcante. Vale visitar!

Dos índios aos dias de hoje

Não há palavra mais brasileira que saudade, especificamente da Língua Portuguesa. Ela dá sentido a um sentimento que não se consegue traduzir tão facilmente. Não é solidão, tão pouco angústia. É sentir falta, é sentir nostalgia – talvez de quem ficou do outro lado do mar. Ou das praias de Maceió.

As palavras são usadas para descrever o mundo, da mesma forma que a palavra saudade descreve um sentimento. Cada lugar tem a sua própria maneira de se expressar, e não seria diferente em Maceió, que se utiliza de um vocabulário tão particular para nomear seu universo. E esse jeito de falar foi sendo moldado antes mesmo dos portugueses atracarem por aqui. Na região de Alagoas viviam os caetés, os quais falavam o tupi antigo. Devido a uma vingança do Governador Geral e a fama de praticarem antropofagia com o coitado do bispo Pero Sardinha, essa etnia indígena foi extinta na época da colonização. Contudo, as suas raízes já haviam se fincado nesse solo onde aparentemente tudo se dá, contribuindo na inserção de vocábulos no português brasileiro.

Quando for a Alagoas e escutar: “Avia, vamos de bigu até a praia para não perder a barra do dia e depois ficar borocoxô.” Não se assuste, quer dizer: “Se apresse, vamos de carona até a praia para não perder o nascer do sol e depois ficar triste.” Essa peculiaridade é chamada de dialeto e é uma variante da Língua Portuguesa. Engana-se quem acredita que para a formação do falar do nordeste, foram utilizadas apenas uma fé. Pelo contrário, passaram por lá espanhóis, franceses, holandeses, além dos próprios lusitanos, etnias africanas e os índios que já moravam por lá. Essa mágica de pegar uma coisa dali e outra daqui é possível porque a língua é um organismo vivo que se modifica de acordo com a necessidade de seus falantes. Vejam só quantas formas de dizer que permitem explorar tantos Brasis dentro de um só.

Agora, o que interessa | O espetáculo das praias centrais de Maceió

A costa do estado de Alagoas é presenteado por um litoral que disputa espaço entre os mais incríveis do mundo. São cerca de 40 km de areia branca, águas em diversas tonalidades, coqueiros, gente bonita e animada. Tem praia para todos os gostos: das mais rústicas às mais sofisticadas. Infraestrutura e a sensação que o tempo parou só para você viver o melhor das suas férias.

Maceió é um destino interessante que harmoniza o sabor da terra e a brisa marinha em um cenário de praias urbanas. Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca são algumas das opções. Tanto o litoral Norte, quanto o Sul, guardam a mesma maravilha que todo turista procura: águas mornas, sanfoneiros e tudo que você precisa para ter as férias de seus sonhos!

Em Pajuçara, a areia branquinha é salpicada de pessoas querendo aproveitar o dia, enquanto as suas águas formam, na maré baixa, piscinas naturais, cercadas por corais, ideais para mergulho quando o mar está para peixe – aliás, um aquário natural com vários peixinhos coloridos para fazer festa aos olhos. Os horários ideais para chegar às piscinas naturais são nas primeiras horas da manhã e ao entardecer, principalmente na época do verão. O que atrai nessa praia são as jangadas estruturadas com restaurantes e seus passeios por 2 km até as piscinas. À noite, o point é no calçadão com o mesmo agito da praia durante o dia.

Dica: O artesanato ícone da cidade é a renda de filê. Aproveite a Praia de Pajuçara para conhecer o Pavilhão do Artesanato.

Seguindo adiante, coladinha à Pajuçara, Ponta Verde é considerada a praia central mais bonita de Maceió pelos jardins que decoram a sua avenida. Não difere muito da sua vizinha na categoria areia branca, água verde e coqueiros, exceto pela movimentação. Também oferece duas boas barracas chamadas Kanoa e Lopana. Percorrendo essa praia, quase chegando à Jatiúca, o trecho é mais apropriado para banho.

A próxima praia central é a Jatiúca. É a mais “nova” de todas pela sua urbanização mais tardia que as demais. No entanto, também é a que tem as ondas mais fortes, o que atrai os surfistas para esse local. Recomenda-se ao turista ir na parte da manhã, pois a tarde há muita sombra na areia.

Dica: Nos meses de chuvas, vale sempre checar o relatório de balneabilidade do Instituto de Meio Ambiente Alagoano – IMA-  para saber se a praia selecionada está apta para o banho.

Seguindo o caminho, a última fronteira das praias urbanas de Maceió é Cruz das Almas. O diferencial fica para as suas ondas fortes que atrai os surfistas, não sendo recomendada para famílias com crianças, por se tratar de um mar mais agressivo. Agora, se procura mais tranquilidade, é um lugar praticamente reservado, ideal para aqueles momentos de paz.

Parque e natureza

O Parque Municipal é um lugar para ter contato com a natureza. Dizem que o verde da mata ajuda a mandar embora o estresse, ainda mais quando o local permite fazer algumas trilhas, ler numa fonte, sentir o jardim sensorial, visitar o Museu da Flora e Fauna e não gastar nada para se ter essa experiência.

Mais histórias

Sair um pouco da praia e bater perna na cidade tem seus privilégios. Um deles é conhecer o bairro de Jaguará, com seus casarões históricos, monumentos de leões, a Igreja da Nossa Senhora do Povo e uma placa “Memorial à Rapariga Desconhecida”, a qual destina a lembrar quem de fato contribuiu em guardar a memória e a história desse espaço. Os bordéis, durante mais de meio século, ocuparam essa região, atraindo toda horda de pessoas, incluindo os que não eram muito bem vistos pela a sociedade. Contudo, se não fossem a ação dos que habitavam os prédios antigos, oferecendo o cuidado necessário, talvez não restassem tantos como hoje em dia. Um grupo, chamado “Confraria do Sardinha”, composto por artistas, boêmios, políticos, intelectuais e outros tantos ‘desocupados’ que viviam no Bar da Zefina, resolveu estampar as verdadeiras honras às mulheres que conservaram a história arquitetônica e festeira da cidade, afixando a placa numa parede de um antigo clube. É um ótimo lembrete de que uma cidade é formada pelas várias personagens de uma rica narrativa.

O centro histórico foi recentemente revitalizado e trouxe consigo bares, restaurantes e centros culturais que tornam ainda mais interessante a cidade de Maceió.

Um homem, dois ofícios

E falando em paixões, houve um “filho da terra” que uniu duas vocações em um só ofício, um escritor que foi prefeito de uma cidadezinha do interior do estado. Graciliano Ramos executou suas obrigações como prefeito, levando à pequena cidade de Palmeiras dos Índios o desenvolvimento. Contudo, havia uma paixão que dominava seu ser: a escrita, exemplificados nos relatórios que produziam com toques de romances. Ainda bem para nós! Na orla de Maceió, esse homem ficou mortalizado em bronze. Vale a pena fazer uma visita! Afinal, como disse o próprio escritor: “[…] Acho medonho alguém viver sem paixões.”

Você vai dizer: ai, que saudades

Alagoas é um daqueles lugar cuja paisagem guarda um recorte que arrebata à visão, levando tudo para o patamar das emoções. Tem histórias de índios, tem história de Lampião, tem histórias das lagoas e das suas praias e de políticos que marcaram sua época.

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