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O RIO DE JANEIRO SOB O OLHAR DE CLARICE LISPECTOR

A partir da trajetória de seus personagens, obras da escritora inspiram visita à Cidade Maravilhosa!

 

Macabéa e Lóri, personagens de Clarice Lispector (1920 – 1977) nos livros “A Hora da Estrela” e “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, têm em comum o fato de terem escolhido o Rio de Janeiro para viver, assim como sua autora, que nasceu na Ucrânia e veio para o Brasil ainda bebê. Chegou no Recife, mas, anos mais tarde, foi para o Rio de Janeiro onde fez da cidade a sua casa e o cenário de várias de suas histórias. Em a “Hora da Estrela”, a personagem Macabéa, retirante nordestina que saiu de Alagoas em busca de melhores condições de vida no Rio, trabalha como datilógrafa em uma pequena firma. Lá, conhece Olímpico de Jesus que vem a ser seu namorado. Já em “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, a Lóri, de Loreley, nasceu em uma família rica e saiu de Campos, no interior do estado, para viver sozinha na capital, onde trabalha como professora primária. Um dia, na rua, ela conhece Ulisses, um professor universitário de filosofia, com quem vive um romance.

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Sob seu olhar, pouco a pouco, Clarice vai nos apresentando o Rio de Janeiro que ela vive. Como no dia em que Macabéa, em sua simplicidade e invisibilidade, se depara com a descoberta da grandeza da metrópole. “A nordestina se perdia na multidão. Na Praça Mauá onde tomava o ônibus fazia frio e nenhum agasalho havia contra o vento. Ah, mas existiam os navios cargueiros que lhe davam saudades quem sabe de quê”. Na região mencionada pelo romance, hoje há uma área turística revitalizada, composta por atrações como o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã e o Edifício A Noite, primeiro arranha-céu da cidade.

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Em outra passagem, Olímpico de Jesus e Macabéa vão a um passeio em São Cristóvão. “(…) os dois foram ao Jardim Zoológico, ela pagando a própria entrada. Teve muito espanto ao ver os bichos. Tinha medo e não os entendia: por que viviam? Mas quando viu a massa compacta, grossa, preta e roliça do rinoceronte que se movia em câmera lenta, teve tanto medo que se mijou toda”. Atônita pelas novidades, Macabéa vai descobrindo sua nova cidade com o sentimento de quem vê as coisas pela primeira vez.

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Lóri, porém, não tinha a mesma ingenuidade e fragilidade de Macabéa. Sua descoberta envolvia outras questões. Mais abastada em todos os sentidos, sua história se passa na zona sul da cidade e, junto ao mar, é um convite à reflexão e à viagem para dentro de si mesmo. Certa vez, em sua casa, “ouvia o barulho das ondas do mar de Ipanema se quebrando na praia. (…) Foi à janela, olhou a rua com seus raros postes de iluminação e o cheiro mais forte do mar”. Na primeira hora da manhã, “ vestiu o maiô e o roupão, e em jejum mesmo caminhou até a praia. Estava tão fresco e bom na rua! (…) Lóri olhava o mar, era o que podia fazer”.

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Já seu namorado Ulisses mora numa casinha na Glória, mais ou menos próximo do famoso bairro de Santa Teresa. “É perto do relógio da Glória. Quando estou em casa, ouço de quinze em quinze em minutos o badalar translúcido do relógio que canta devagar marcando o tempo. É muito bom”. Os dois, um dia, foram passear em Copacabana. “Chegaram ao Posto 6 e ainda estava entre claro e escuro. Para a descoberta do que Ulisses queria e que talvez chamasse de descoberta de viver, Lóri preferia a luz fresca e tímida que precedia o dia ou a quase penumbra luminosa que precede a noite”.

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Os trechos citados das histórias de Lóri e Macabéa são apenas alguns exemplos de como as imagens do Rio de Janeiro figuram em suas obras, tanto nos romances como nas crônicas e contos que escreveu. A relação da autora com a cidade é tão marcante que lhe rendeu uma homenagem no Leme, bairro onde viveu por 12 anos. Em maio de 2016, Clarice foi imortalizada na orla junto com seu cão, que também se chamava Ulisses. A estátua, feita pelo escultor Edgar Duvivier, foi a primeira de uma artista mulher homenageada no Rio.

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A obra de Clarice também inspirou o passeio ‘O Rio de Clarice’, guiado pela professora e biógrafa Teresa Montero. Ela conta que a ideia de roteirizar os caminhos da escritora veio a partir de uma visita a Itabira (MG), local em que se realiza os ‘Caminhos Drummondianos’ em referência à obra do escritor. Então, como ela já havia escrito a biografia “Eu sou uma pergunta” (1999), surgiu a vontade de fazer um roteiro pelos lugares em que Clarice Lispector passou. O passeio, que pode ser feito a pé ou de ônibus, é realizado há nove anos. O percurso tem início no Leme, em frente à estátua, e percorre os edifícios, as bancas de jornais, a praça e a praia que ela frequentava. O roteiro completo inclui visita a sete bairros, entre eles Tijuca, Botafogo e Jardim Botânico. A visitação faz parte do Projeto Caminhos da Arte no Rio de Janeiro, idealizado por Teresa, que há 26 anos se dedica em difundir o legado das obras de Clarice Lispector.

Serviço: Para mais informações sobre o passeio, acesse http://www.caminhosdaarterj.com.br ou envie um e-mail para oriodeclarice@gmail.com.
Para conhecer mais sobre a vida e obra de Clarice Lispector, visite seu acervo no site do Instituto Moreira Salles: http://claricelispectorims.com.br.

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