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Pernambuco é diversidade

Recife, Olinda e Porto de Galinhas formam um trio imbatível para passar as férias, com piscinas naturais e cultura marcante

A gente sempre tenta fugir de clichês, mas é difícil desvincular uma ideia que criamos a partir das conexões musicais que fazemos com as cidades. Assim como pousar no aeroporto Santos Dumont e ser impactado com a vista da Baía de Guanabara que imediatamente remete ao famoso “O Rio de Janeiro continua lindo”, é impossível pisar na areia de Boa Viagem e não cantarolar mentalmente o trecho “Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem”, do Alceu Valença. “La Belle De Jour”, porém, não é a única canção do artista que referencia lugares pernambucanos; se parar para ouvir com atenção dá para fazer uma viagem imaginativa em ritmo de Carnaval pelas ruas de Olinda, que, aliás, tem a Casa de Alceu Valença como ponto turístico. A casa é até georreferenciada pelo Google Maps, mas é claro que você não será convidado a entrar porque não é aberta à visitação, dizem até que ele mora lá mesmo, que não se trata de uma mera representação de suas origens. De todo modo, o casario colorido, que leva uma placa em seu nome, ilustra bem o período colonial da primeira capital de Pernambuco, que também leva os títulos de primeira Capital Brasileira da Cultura e Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco.

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O estado de Pernambuco tem mesmo uma aura artística, e não é pela imagem que fazemos dos bonecos gigantes de Olinda, mas pela própria formação da região, que misturou cultura indígena, colonização portuguesa e o marco da invasão holandesa, que deixou um legado cultural de grande importância na figura do Conde Maurício de Nassau, um amante das artes, que, entre vários avanços para época, permitiu a liberdade do culto religioso, fato que pode ser exemplificado pela construção da primeira Sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel. Além disso, foi responsável por trazer da Europa especialistas em artes e ciências para desbravar o potencial da região. É daí que vem a origem da profusão cultural que vemos em Recife e Olinda em tantos ritmos tipicamente pernambucanos, como o frevo, maracatu, forró, manguebeat, entre muitas outras expressões de diferentes linguagens artísticas. A diversidade, porém, não está restrita à cultura, mas também na natureza. Com um litoral privilegiado por recifes de coral e piscinas naturais, visitar as principais atrações entre o eixo Recife, Olinda e Porto de Galinhas pode ser uma viagem e tanto para conhecer um pedaço do Nordeste Brasileiro.

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Em Recife, o melhor lugar para se hospedar é Boa Viagem. Apesar do mar não ser propício a banhos por causa dos ataques de tubarões, a areia fofa e fina, a água esverdeada e o horizonte azul convidam para momentos à beira-mar. E não se preocupe com o calorão, há duchas espalhadas pela praia para você se refrescar. Os petiscos típicos ficam por conta dos caldinhos variados e do queijo coalho assado com melaço de cana, que é delicioso e não tem nem comparação aos queijos coalhos das praias do Sudeste. A orla urbanizada com extenso calçadão estimulam caminhadas em direção à Feirinha de Boa Viagem, onde está localizada uma simpática igrejinha azul, a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Além das barracas de artesanato, há barracas de tapioca, pastel, espetinho e outros quitutes. Se você é daqueles que gosta de sair experimentando tudo o que é diferente, tem um restaurante de comida típica bem próximo, o Ilha Sertaneja, que é por quilo, e também por ali, o Parraxaxá. Para a sobremesa, não deixe de provar o bolo de rolo e a cartola, ambos autenticamente pernambucanos.

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Para conhecer os atrativos do centro histórico, comece pelo Marco Zero, no bairro Recife Antigo. De lá, é possível pegar um barquinho para chegar ao Parque das Esculturas Francisco Brennand, onde encontram-se 90 esculturas expostas a céu aberto, de frente para o mar, feitas pelo artista pernambucano. Recife é a cidade das águas e das pontes, e por esse motivo um passeio de catamarã pelos rios Capibaribe e Beberibe pode ser um jeito diferente de conhecer alguns dos pontos turísticos recifenses. Em terra, vá ao Museu Cais do Sertão, que é interativo e remonta a história do povo sertanejo e de Luiz Gonzaga. O Paço do Frevo e a Embaixada dos Bonecos Gigantes também são pontos interessantes para saber mais sobre a cultura da cidade. Há ainda muitos outros espaços culturais para serem explorados no centro. Fora da região central, no bairro da Várzea, o Instituto Ricardo Brennand, um castelo em estilo medieval construído para abrigar a coleção de arte do empresário pernambucano, pode ser um passeio bem diferente para você se sentir em outro país e em outro tempo.

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Olinda, a 7 km da capital, também tem esse poder de fazer você se transportar para outra época. Contratar um guia local para contar a história dos pontos visitados é uma forma de saber mais detalhes a partir da visão de um morador, além de valorizar o turismo local. Ao redor da Praça do Carmo, na entrada do centro histórico, ficam vários oferecendo serviço, mas também dá para fazer o passeio sozinho ou contratar o serviço previamente com a agência RDC Viagens. Prepare as pernas para as ladeiras. Do alto da Catedral da Sé é possível ter um lindo visual do mar de Recife. Museus, como o do Mamulengo, o de Arte Contemporânea, o de Arte Sacra, além dos diversos ateliês completam a visita a Olinda. Para comer, se quiser um pouco mais de requinte, vá ao Beijupirá, uma rede de restaurantes com várias unidades no estado. Mas se quiser vivenciar uma experiência mais local e descontraída no fim de tarde, vá a Bodega do Véio ou na Venda de Seu Biu.

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Já em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, região metropolitana de Recife, a experiência é praia! A vilinha de Porto é organizada, com diversas opções de restaurantes e lojinhas para comprar acessórios de praia e souvenir. À primeira vista, a abordagem dos vendedores de passeio pode incomodar um pouco, mas as piscinas naturais em maré baixa faz valer a pena a visita. Não dá nem para acreditar que num lugar tão próximo da capital seja possível avistar peixes nadando ao seu lado. O passeio é feito de jangada, e a bilheteria fica localizada na praça central. Porém, se a maré tiver bem baixa, abaixo de 0,3 metros, é possível ir andando, aí o passeio é de graça. As pulseiras são distribuídas na Praça do Relógio, mas fique atento ao horário, verifique a Tábua de Marés para não perder viagem. Bom lembrar que tem um limite diário de visitação, por isso, chegue cedo, e não esqueça de alugar o snorkel, caso você não tenha um.

Se a maré tiver cheia, não tem piscina, mas tem a praia para aproveitar. Se não gostar de muvuca, que fica concentrada no meio da praia, procure os cantos. Na lateral esquerda ou direita é mais tranquilo, mas é importante saber que tem ondas, então é preciso saber nadar e não é recomendável se estiver com criança, pois tem pontos de mar aberto. Se estiver animado e sem filhos, seguindo à direita, numa caminhada de 3 km, está a Praia de Maracaípe, que é o paraíso dos surfistas pela forte ondulação. Entrar nessa água, só se estiver bem fisicamente. A praia em si não tem muito infraestrutura, é uma tranquilidade só. Caminhando mais um pouco se chega ao Pontal de Maracaípe, onde se dá o encontro do mar com o rio, este lugar, sim, é apropriado para ir com crianças. Paisagem rústica, águas calmas para relaxar, passeio de jangada pelo mangue para ver cavalos marinhos e, para completar, é ‘o lugar’ de Porto para ver o pôr-do-sol.

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Se não quiser caminhar, dá para fazer o passeio de buggy de ponta a ponta, que vai de Muro Alto a Maracaípe. Caso não seja entusiasta desse tipo de passeio, passar o dia na praia de Muro Alto também pode ser legal, pois a água é tranquila, propícia para a prática de stand up padlle, além de ter uma paisagem tão bonita que faz descansar a mente. A praia do Cupe também vale a visita, é tranquila e extensa, com areia firme que convida a caminhadas. Para se deslocar de uma praia a outra, é interessante pensar na possibilidade de alugar um carro para ter mais liberdade nesse vaivém, até para fazer a viagem de Recife até lá. Também dá para fazer o trajeto de táxi, Uber ou transfer contratado pela nossa agência de viagem.

Quanto aos passeios que se pode fazer a partir de Porto de Galinhas, a Praia dos Carneiros, em Tamandaré, vale a pena. Essa é aquela praia da igrejinha verde, talvez você já tenha visto fotos dela circulando pela internet. Tem ar selvagem, piscinas naturais e é considerada uma das mais bonitas do Brasil. O passeio de catamarã leva a um banho de argila, que dizem ter propriedades rejuvenescedoras e favoráveis a circulação. Para chegar lá de carro, é preciso percorrer uma estradinha de terra e pagar estacionamento, pois uma parte dela é caracterizada como propriedade privada. Há opção de fazer o passeio com receptivo, que talvez compense para ficar mais despreocupado com o trajeto da volta. O restaurante Bora Bora conta com uma ótima infraestrutura e é o ponto de encontro da maioria das empresas que prestam esse serviço.

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Outro passeio que pode ser conciliado é Maragogi, já em Alagoas, são cerca de 100 km, mas é preciso estar bem atento ao horário da maré para não perder a viagem. As piscinas de lá são convidativas ao mergulho com cilindro, se você for apto, é claro. Lá eles vão fazer o teste para ver se você se adapta. Caso não, alugar um snorkel já dá garantia de visibilidade, e se prepare para a visão que você vai ter da natureza aquática. É impressionante!

Por fim, Recife, Olinda e Porto de Galinhas formam uma tríade de diversidade de paisagem e cultura que merece ser experimentada. Outros detalhes dos destinos ficam para sua descoberta de viajante.

Boa viagem!

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer – Ed. 56

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