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Sorvetes que vale a viagem

No palito, na casquinha, no copinho, em belas taças, com diferentes texturas, formas e sabores, os sorvetes são uma deliciosa forma de explorar o destino.

Já pensou criar um roteiro de viagem inspirado nos diferentes tipos de sorvetes? Pois saiba que a experiência pode render uma surpreendente volta ao mundo. Significa, por exemplo, partir para Nova York para conferir a famosa cremosidade dos sorvetes americanos na  Morgennstern’s Finest Ice Cream, no descolado bairro Lower East Side em Nova York, caminhar entre a Manhattan Bridge e a Williamsburg Bridge para saborear clássicos como o King Kong Banana Split. Ir a Roma para sentir a suavidade dos semifreddi da Giolitti, uma gelateria de 1900, ou arrojar e despertar o paladar para sorvetes sabor parmesão, aspargos, trufas ou violeta na Rocambosleque, em Girona ou Barcelona – que também faz sorvetes perfumados. Ir até onde tudo começou, à China, para provar sorvetes cremosos de feijão ou de chá verde. E só para comparar o que nos parece exótico, dar um pulinho até Tóquio para degustar um sorvete de peixe, de molho de soja, de água viva, de algas wakamé ou até de wasabi. Se o sorvete salgado parece esquisito, que tal ele frito, empanado na massa de tempurá e flambado, como fazem japoneses, chineses, tailandeses e agora até nós, brasileiros? E dizer que parece estranho para alguns pedir um sorvete de umbu, de cajá, de mangaba ou de sapoti por aqui.

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Há mais de três mil anos o sorvete começou a conquistar o paladar da humanidade. No princípio era uma espécie de “raspadinha” chinesa – pedras de água congelada de lagos e montanhas, trituradas e misturadas ao leite de arroz. Dizem que, no século I, o imperador romano Nero era louco também por sorvete e mandava escravos trazerem gelo das montanhas para misturá-lo com frutas e mel. Uma iguaria até então para poucos, pois não havia geladeira e o processo de armazenar gelo em cavernas subterrâneas exigia altos investimentos. No retorno de sua viagem à China, no século 13, o explorador veneziano Marco Polo teria levado à Itália o modo chinês de fazer sorvete, mas somente no século 16 a França conheceria a delícia gelada. Foi a florentina Catarina de Médicis que apresentou o sorvete à corte francesa quando se casou com o futuro rei da França, Henrique II. Em 1660 a França também seria o primeiro país do mundo a ter uma sorveteria, graças ao visionário empreendedor italiano, Procópio Coltelli, que fundou o Caffe Le Procope, em pleno reinado de Luís XIV. Ele aperfeiçoou a receita italiana do seu avô, substituiu o mel pelo açúcar, conseguiu homogeneizar os ingredientes e criar essa massa gelada e uniforme parecida com a que conhecemos hoje. Ele já fabricava então 80 sabores diferentes de gelato. Portanto, vale uma paradinha também em Paris, no Procope, e fazer como Rousseau, Voltaire, Montesquieu, Napoleão Bonaparte e até Benjamin Franklin: sentar nesse magnífico café e degustar um bom gelato, com toda a sabedoria.

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No Brasil, o sorvete chegou somente em 1834, no Rio de Janeiro, num carregamento de 200 toneladas de gelo. Mas somente no século 20 as diferentes regiões do Brasil passaram a valorizar os sabores da própria terra e, no século 21, a globalização se encarregou de disseminar o conceito de sorvete artesanal de qualidade. O resultado? Destinos que podem ser explorados em pausas refrescantes, sentindo os sabores do Brasil.

Em São Paulo, artesanais cremosos

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Desde 2011, a Bacio di Latte oferece a oportunidade de provar a verdadeira textura de um gelato com sua receita italianíssima: dosagem equilibrada entre água e açúcar, de acordo com o sabor, e ponto de congelamento perfeito. Experimente o que leva o nome da casa, o mais cremoso de todos. Quer variar? Prove um affogato, café espresso com uma bola de gelato. Rua Oscar Freire, 136 – Jardim Paulista

Ainda em São Paulo, sorvete com nitrogênio

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Admire o processo ao vivo, no balcão do La Vie Sophie: nuvens de nitrogênio líquido a 196°C negativos subindo da batedeira que mistura os ingredientes naturais à base e a temperatura baixa impede a formação de cristais de gelo, deixando a massa ainda mais cremosa. Prove o ‘La Vie en Rose’, à base de pétalas e água de rosas destilada, observando as vitrines do quadrilátero mais elegante dos Jardins. Alameda Lorena, 1570- Jardim Paulista

Em Belém, as “exóticas” frutas tropicais

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Tudo começou em Belém, com os picolés da Dona Ruth e do Seu Armando Laiun. Hoje a Sorveteria Cairu é unanimidade quando o assunto é variedade de sabores com frutas típicas do Pará, como taperebá, cupuaçu, murici, bacuri, castanha-do-pará, açaí, graviola. Escolha o quiosque da Cairu na Estação das Docas, peça um sorvete de tapioca e saboreie apreciando o fantástico pôr do sol às margens do Rio Guamá. Av. Boulevard Castilho s/n, Bairro Campina, Belém

No Rio, prove um criativo gelato ou um sorbet    

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Desde 2010, a Vero Gelato se orgulha de produzir o verdadeiro sorvete artesanal, que segue fielmente a receita italiana, com boa dose  criatividade: os ingredientes variam de acordo a estação:  goiaba, tangerina com cravo, lichia com gengibre e limão, graviola, umbu e caqui. A dica é sair da Vero com um sorbet de caju completo, feito com a fruta e a castanha, caminhando no coração de Ipanema. Rua Visconde de Pirajá 229, Ipanema

Em Salvador, sorvete é fruta gelada

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Na Sorveteria Ribeira, de 1931, uma das mais tradicionais e originais sorveterias da Bahia, vale conferir o slogan: sorvete com sabor de fruta mesmo. São mais de 60 sabores como umbu, biribiri, jaca, jenipapo, pinha, sapoti, amarena, coco verde. Opte por um sorvete de mangaba e vá caminhando pela praia da Ribeira, apreciando os barcos de pesca, saveiros, o pôr do sol e a doce preguiça baiana. Praça General Osório, 87 – Largo da Ribeira – Ribeira

Em Fortaleza, decida-se entre 150 sabores

A sorveteria 50 Sabores nasceu em 1975 como Sorveteria Tropical, com o propósito de oferecer a maior variedade possível de sabores. Hoje são mais de 150, feitos com frutas como murici, tamarindo, bacuri, cupuaçu e combinações pra lá de criativas como ricota com rapadura, café, tapioca. Se tiver indeciso, opte pelo premiado ”qualquer coisa” e caminhe com ele na Av. Beira Mar até a feirinha de artesanato de Meireles. Av. Beira Mar, 2982 – Praia do Meireles

Em Manaus, sorvetes amazônicos 

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A Sorveteria Glacial, fundada em 1983, é considerada pelos próprios manauaras “o melhor sorvete de Manaus”. Dentre os sabores estão delícias de pupunha, de tapioca, de taperebá, de creme de cupuaçu, de buriti e até de caipirinha. Escolha o quiosque de Ponta Negra para caminhar pela praia às margens do Rio Negro, seguir pelo calçadão escolher um dos três mirantes para admirar o cenário com a impressionante ponte estaiada Phelippe Daou.

Em Brasília, sorvete com frutos do cerrado

O cerrado pode ter gosto de amendoim quando saboreado num gelato de castanha de baru na Sorbê  Sorvetes Artesanais, que privilegia a sua produção artesanal com ingredientes da região, como cajuzinho do cerrado, cagaita, maracujá pérola do cerrado etc. Aproveite a área calma e arborizada da Asa Norte e veja de forma refrescante aspectos que caracterizam o Plano Piloto de Brasília. 405 Norte, Bloco C, Loja 41.

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer – Ed. 57

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