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Uma França além de Paris

Maria Augusta de Oliveira Borges era filha do Visconde de Guaratinguetá, uma família tradicional do interior de São Paulo. Ela era conhecida pelo seu temperamento forte e espírito desafiador que destoava do tom da época. Embora tenha se casado com quem seus pais escolheram, a sua sina calculada foi modificada. Após a morte de seu pai e um casamento que não deu certo, Maria Augusta disse a seu marido que iria fazer compras, pegou seu cofre de joias, vendeu-as e seguiu até o Rio de Janeiro, onde embarcou para uma pátria de liberdade, fraternidade e igualdade: a França. Procurava por ali a sua própria revolução.

Em solo francês, viveu intensamente. Certa vez, participou da Batalha de Flores, em Nice. Em pleno carnaval, vestia uma roupa cor violeta, adornada com essas mesmas flores. A sua carruagem também estava toda enfeitada nessa temática, inclusive os próprios cavalos. De cima, Maria Augusta jogava flores na multidão e vencia não somente essa batalha, como também o esquecimento.

De certa forma, a sua memória ainda perambula por um casarão na pequena cidade de Guaratinguetá, reportando a sua ousadia, nada própria a uma mulher do século XIX, que rompeu com o místico e inspira mais gerações, pela curiosidade ou pelos feitos. De uma forma ou de outra, Nice foi palco dessa história, como de outros tantos personagens. Como pode ser palco para você também! Convido você, caro leitor, a ir além dos portões da Cidade Luz e conhecer outros destinos franceses para ser palco de sua viagem. Nous allons le sud de la France, monsieur et madame?

 

Uma viagem pela França além de Paris

Estar na França é buscar por essa tal liberdade. E não é por acaso. Em tempos remotos, quando os romanos conquistavam todo o Mundo Antigo, apenas um lugar não se rendeu ao julgo dos dominadores, era justamente os Francos. Em algumas concepções, franco vem da palavra frank, que significa livre. De lá para cá, muito chão foi percorrido, a França descende desse povo, e nós estamos aqui para conhecer essa pátria que inspira tantas revoluções, e o melhor, vai inspirar a sua próxima viagem.

Paris é uma festa, já diz Hemingway! Mas, a França, ah…essa tem muito para contar para gente. Aliás, nos meses quentes, toda França é pura festa, e aqui vamos nós para essa viagem que tem tudo para ser incrível, inclusive aos pés do Mediterrâneo ou dos Alpes, com paisagens cinematográficas, perfumes por toda parte e uma atmosfera cultural. O convite é mais que especial, no bom francês – com direito a biquinho e tudo – on va voyager! Prepare seu melhor vinho e a baguete debaixo do braço porque estamos indo para uma França que inspirará para a sua melhor viagem e sua própria revolução.

 

Nice – onde tudo começa

Allez le bleu! É o grito que sai dos estádios quando o time francês está em campo, mas aqui o azul também é protagonista, e talvez seja a cor mais quente da estação. Bienvenue a la Côte d’Azur, Brésil! O azul fica por conta do mar, que é convidativo aos banhistas para experimentar um dia de praia à francesa.

DICA: As praias no sul da França são bem diferentes das praias brasileiras. Não há aquela areia branquinha e muito menos barracas com comidas. Se você quiser, pode pegar um guarda-sol e cadeiras emprestadas na própria praia e até arriscar um topless – é liberdade que se fala, né!

Para começo de conversa, Nice é agitada. Ela exala cultura pelas suas ruas, além de se situar em uma localização estratégica. A cidade está próxima à Mônaco e à Cannes de um lado, enquanto do outro, lá está ela, la bella Itália. Você está em um lugar privilegiado, por isso aproveite seus edifícios, palácios, museus e o burburinhos das ruas com bons restaurantes e bares. Tudo para um bon vivant de carteirinha se sentir em casa.

Para aproveitar o seu tour como um habitué de Nice, comece pela Promenade des Anglais ou La Prom, para os íntimos. Uma boa vista panorâmica do La Prom é da Colline du Château. É dever de todo viajante flanar nessa via à beira-mar, e obrigatório admirar o pôr do sol. Siga até Vieux Nice para ter uma metaviagem – uma viagem da própria viagem – ao se deparar com a porção histórica da cidade, com ruelas da Idade Média e o labirinto do tempo. É o point para suas noites quentes, muitos ateliês, restaurantes e lojas, e, claro, festas!

E nesse embalo, os museus também são destaque, principalmente o dedicado a Matisse. Há nele um intenso estudo sobre a evolução e emprego das formas e das cores característicos ao artista. Vale à pena conferir. Endereço: Avenue des Arènes de Cimiez, 164.

DICA: Não deixe de conferir outros museus: Museu Marc Chagall e Mamac.

O calor europeu é bastante intenso, mas em Nice isso não será um problema, principalmente se for visitar o Promenade du Paillon. É uma área revitalizada com árvores, esculturas e um espelho d’água com algumas fontes as quais dividem a cidade nova da velha. E, pasmem, por baixo da tal fonte, passa o rio da cidade!

Os mercados de rua são excepcionais no quesito cheiros e cores. Vá ao Marché aux Fleurs Cours Saleya para se entregar às flores de todos os tipos e ao Marché de la Libération  para encontrar peixes e frutos do mar, além de um festival de alimentos.

 

Cannes – um filme real

Cannes está a um passo de Nice. A 34 km de distância, você pode dar o ar da graça no lugar por onde passam ícones da sétima arte e conhecer a maior parte a pé. Ela é menor que Nice e um pouco parecida em relação à sua arquitetura. Você deve flanar pelo Boulevard de La Croisette e pela parte portuária. Um adjetivo você tirará desse passeio: elegante. Cannes é elegante.

Próximo ao Boulevard de La Croisette acontece anualmente o Festival de Cannes. Em maio, é possível encontrar artistas desfilando pelo tapete vermelho, mas fora dessa temporada, outros passeios podem ganhar seu coração.

Já ouviu falar do “Homem da Máscara de Ferro”? Pois ele existiu de verdade e vivia em uma prisão na Ilha Sainte-Maguerite, que pertence ao arquipélago de Lérins. É possível conhecer a antiga cela e um pouco da história desse misterioso personagem. Durante a sua estadia, um ex mosqueteiro cuidava dos prisioneiros especiais e, possivelmente, era o único a conhecer a verdadeira identidade desse homem.

Durante a visita não é possível descobrir quem de fato era o tal famoso prisioneiro, porém suposições não faltam. São cerca de 60 nomes que dão asas para a imaginação. Mas, como todos que assistiram ao filme o “O Homem da Máscara de Ferro”, pensar no Leonardo Di Caprio como o protagonista dessa história real, é quase unânime.  No filme, o prisioneiro era irmão do rei da França e foi inspirado pelo escritor Voltaire, que após ter passado uma temporada na Bastilha, escreveu “O século de Luís XIV”, o qual denunciava os abusos de poder e as condições do cárcere.

 

Grasse – aromas e mais aromas

Partindo para um pouco distante do mar azul do Mediterrâneo, Grasse é o centro da tradição da perfumaria da França. Nesta região, as flores ganham destaque, alimentando a indústria que desde o século XVI inspiram diversos perfumes famosos, como Chanel, Dior e Givenchy.

Uma palavra define Grasse: sensorial. Sentir é algo essencial para se aprofundar nessa cidadezinha simpática. Para quem ama esse universo das fragrâncias, essa cidade oferece passeios guiados pelas perfumarias, acompanhando bem de perto todas as etapas de produção dos perfumes. Inclusive, há nela o Museu Internacional da Perfumaria, que além de contar um pouco da história das fragrâncias, convida a um passeio olfativo pelos aromas.

Por todos os lados há jardins, cheiros inebriantes e construções medievais e de outras épocas, que convivem em plena harmonia e charme. O sabor também é sentido nesta região, experimente o prato ícone do local: Lou Fassum, que é um repolho recheado, e o fougassette, uma espécie de brioche feito com água de flor de laranjeira.

 

Avignon – a cidade dos Papas

Entre os Alpes Suíços e o Mediterrâneo, uma região bem famosa irá levá-lo a se encantar. Motivos não faltam. O primeiro, é sem dúvidas, pelos campos de lavanda; enquanto os outros você encontrará neste texto.

Entre os anos de 1309 e 1377 a sede da Igreja Católica não foi Roma, mas sim Avignon. Felipe, o Belo, era o homem mais poderoso do mundo e definiu que a sede eclesiástica deveria ser na França. Desta forma, Avignon nasceu para acolher as figuras do clero com grandiosidade, como visto no Palais des Papes, o maior castelo gótico do mundo e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. A cidade tem esse ar medieval, com a ponte antiga e as muralhas na antiga prisão de Sainte-Anne, que recebem oferendas. Ninguém sabe ao certo quando e como se iniciou essa prática, o fato é que as pessoas continuam deixando bilhetes ou flores no mesmo local.

 

Carcassone – um verdadeiro contos de fadas

Reza a lenda que o nome da cidade teve origem de uma das senhoras feudais, chamada Dama Carca. Um dia, quando os inimigos cercavam as muralhas da cidade, essa astuta mulher teve uma ideia para espantá-los: fazer com que todos os sinos da cidade soassem. E deu certo. Os inimigos acharam que era algum sinal de ataque, fugiram e a cidade ficou livre. Desta forma, a cidade passou a ser conhecida como a “Carca Sone”  ou “Carca Soa”.

Para quem ama castelos, contos-de-fadas e muita história, Carcassone é o lugar certo. Ela foi usada durante milênios como ponto estratégico de vários povos, como os romanos visigodos e sarracenos. Foi testemunha de inúmeras batalhas, que desenharam no curso do tempo as suas fronteiras. É uma muralha fortificada com 52 torres e um castelo que constrói esse complexo medieval mais preservado da Europa.

A Cité é a parte que se encontra dentro das muralhas e também a parte mais antiga da cidade. Logo de pronto, é possível presenciar a mitologia com o busto em homenagem a Dama Carca. Motivos não faltam para visitar esse local, são artefatos, como armaduras e vitrais que contam um pouco de interessantes histórias que encantam mais que os contos de fadas. O castelo de Comtal é uma espécie de fortaleza dentro da fortaleza, que hoje em dia abriga um museu.

Curiosidade: Os vitrais da Basílica Gótica de Saint-Nazaire, com cerca de 700 anos, foram retirados e escondidos nas montanhas durante a Segunda Guerra Mundial, para que fossem protegidos de roubos.

Fora dos muros, existe a cidade baixa, erguida em XIII, chamado bairro Bastide Saint Louis. O toque medieval também se faz presente por suas ruas entorno da Place Carnot. Para quem não dispensa uma bela vista e tem bastante disposição, a torre da igreja Saint-Vincent, com 232 degraus, oferece a melhor visão da cidade.

Ah, para matar a fome, nada melhor que um prato típico, o famoso cassoulet.

 

Toulouse – La ville en rose

Toulouse é conhecida como a cidade rosa, devido às suas construções com telhados de cor ocre e tijolos avermelhados. Mas, há algo a mais que chama atenção dos viajantes. A cidade é cosmopolita, embora carregue em si a ternura que somente as cidades pequenas têm. Além do mais, é organizada e muito sedutora. Ah, não pode se esquecer que ela também é contraditória. Ao mesmo tempo que o passado perambula por suas ruas, o futuro desponta nos céus. Não por acaso, ali é a capital europeia de aeronáutica, onde fabricavam aviões para a Primeira Guerra Mundial e que também foi base de voo para um certo piloto chamado Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro “O Pequeno Príncipe”.

Nesta cidade, tudo parece que está bem. Os ventos quentes do verão são daqueles que levantam vestidos, mas que também traz refrescos. Julho faz calor e é ótimo para conhecer os pontos turísticos, como a Basílica de Saint-Sernin, o Convento Jacobino e o Mercado Victor Hugo. Se preferir, vá de bicicleta e não se esqueça de passar pela Praça do Capitólio, onde figura a Câmara Municipal e o Teatro Nacional.

O Canal du Midi é uma rota fluvial construída no século XVII para ligar o Mediterrâneo ao Atlântico, que hoje é usado exclusivamente para passear. Dentre as cidades citadas neste texto, Carcassonne tem uma amostra de como é navegar pelo canal. Agora, em Toulousse as águas são sacramentadas com outra característica: a Maison de la Violette. Embora a cidade seja rosa, as violetas estão por toda parte: compondo sabores em doces ou decorando janelas, jardins ou o carro de desfile da Maria Augusta em Nice.

 

O sul da França espera por você para conhecer essa tal liberdade permitida nesta pátria que impulsiona revoluções e admiração. Au revoir et bon voyage!

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