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Visitar museus ficou divertido

A tecnologia ajudou os museus a se reinventarem.

Museu sempre foi sinônimo de cultura, porém nem sempre associado a algo prazeroso de visitar, pelo menos pelos mais jovens que se entediavam com aquele monótono desfile de peças, documentos e de explicações mais teóricas do que práticas.

Instituições de todo o mundo buscam novas formas de apresentar seu acervo, torná-lo mais atrativo, despertar a curiosidade e o interesse dos visitantes. E a interatividade vem sendo um dos recursos mais utilizados, ao lado de soluções integradas como o QR code que, escaneado pelo celular, permite acessar informações e contextualizar uma exposição; o desenvolvimento de aplicativos e de outros recursos, como jogos, que atraem os mais jovens e dinamizam as exposições.

A Estação Pinacoteca, por exemplo, levou para fora do museu suas ações para envolver e atrair o visitante. Desenvolveu o Pina trilhos, um jogo interativo que une arte e mobilidade urbana. O objetivo é chegar ao museu, que fica na Estação da Luz, no centro de São Paulo. A ação, feita em conjunto com o Metrô, ViaQuatro e CPTM, transforma a cidade num grande tabuleiro e ajuda o visitante a preparar sua visita, respondendo perguntas sobre os museu e as artes presentes nas estações.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) tem cadastrado mais de três mil museus, entre clássicos, comunitários, ecomuseus, museus de território- a cidade de Paraty é um exemplo-, e museus virtuais.

Em São Paulo, no recém-inaugurado Instituto Moreira Salles, na Av. Paulista, o visitante pode mergulhar em fotos da cidade de 1860 ao ano 2000, graças aos recursos de cinco mesas interativas. O MASP, Museu de Artes de São Paulo, desenvolveu o aplicativo Andar Escondido para o visitante conhecer obras do seu acervo que nunca foram expostas. Para transformar atividades em conhecimento, o Museu Catavento, instalado no Palácio das Indústrias, no centro de São Paulo, dividiu seu espaço nas seções Universo, Vida, Engenho e Sociedade e utiliza recursos como telas interativas para o visitante fazer passeios no espaço, mesas tech para aprender conceitos de topologia, óculos de realidade virtual para dar vida a dinossauros que habitaram o Brasil há milhões, tudo para facilitar e fixar o entendimento.

Em Belo Horizonte, o Museu das Minas e do Metal utiliza ambientes virtuais que permitem vivenciar intensamente o mundo dos metais, como uma cozinha diferente, em que uma chef revela na preparação dos “pratos” os processos de fusão de metais e de formação de ligas; em outro espaço, um ábaco virtual ajuda o visitante a calcular os impactos da atividade mineradora e um elevador virtual leva o visitante para conhecer a Mina de Morro Velho, a 2,5 mil metros de profundidade, em companhia de D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina.

No Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã faz uso de muita tecnologia para criar experiências para o público “ver, sentir, interagir, fruir” por meio de recursos multimídia estruturados nos espaços Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós. Para responder a pergunta “de onde viemos”, uma experiência sensorial acontece no espaço Cosmos, onde o visitante é imerso numa projeção em 360 graus, percorre galáxias, viaja pelo núcleo dos átomos, chega ao interior do Sol e assiste à formação da Terra e ao desenvolvimento da vida e do pensamento. Depois, telas interativas aprofundam esse conhecimento.

Em Aracaju, Sergipe, o Museu da Gente Sergipana escolheu o espaço dedicado à literatura de cordel para chegar espontaneamente a redes sociais. Telas interativas permitem que o visitante escolha um folheto, leia como se estivesse num karaokê e envie sua performance diretamente para o canal “Seu Cordel” no YouTube.

Pelo mundo, há exemplos ainda mais criativos e inovadores. Em verdade, viajando ou não, por curiosidade ou como aperitivo para preparar o roteiro da visita, muitos museus, no Brasil e no mundo, disponibilizam passeios virtuais através de seus acervos. E a tecnologia também vai ao encontro deles. Pelo aplicativo gratuito Arts & Culture do Google, por exemplo, além dos passeios virtuais nos museus mais famosos do mundo também é possível buscar pelo nome da obra e ser guiado até o museu onde ela se encontra. E tem outros mimos, como o comparativo de selfies, uma funcionalidade que permite a você confrontar sua foto com obras de arte espalhadas em acervos ao redor do mundo para descobrir se o seu rosto se parece com algum retratado por um artista famoso.

Certamente, a tecnologia tem facilitado a abertura de museus diferentes e a renovação de outros tantos, fazendo com que os viajantes incluam cada vez mais museus no seu roteiro de viagem.

Texto Publicado na Revista Férias&Lazer – Ed. 57

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