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Você sabe o que é maxixe?

Lá no sertão, a chuva é coisa séria. A sua chegada é cercada de reverências, tanto que era comum que se as águas começassem a cair no meio da noite, todos deveriam se levantar, em forma de respeito, e agradecer em preces pelo milagre da vida.

Lá no sertão, a chuva é coisa misteriosa. Há sinais que antecedem a temporada da vida, uma leitura que todo sertanejo sabe de cor. Do árido, não apenas a Asa Branca anuncia que o sertão pode virar mar, o maxixe é um dos sinais. Quando as folhas verdes já brotam do chão, é hora de preparar a semente, é hora de esperar para crescer. É hora de deixar que os açudes tenham água, que as crianças brinquem na chuva e que a esperança ressurja.

Os alimentos carregam em si muitos elementos que são indispensáveis para se entender um povo. É um tema universal e particular ao mesmo tempo, experimentado no cotidiano e ritualmente por todos os homens, independentemente de suas diferenças, porque para viver é preciso se alimentar. E, antes de tudo é um ato social e cultural que alicerça os significados que agregam às pessoas um ritmo e sela momentos. Comer é mais que um ato corriqueiro, é uma ação permeada de muitos símbolos e, claro, histórias – e o maxixe não fica de fora dessa não.

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Para quem não sabe, o maxixe é uma hortaliça com nome científico de Cucumis anguria, parente próximo do pepino, melão, chuchu, abóbora e melancia. A sua aparência causa uma certa estranheza e até um torcer de nariz, devido aos seus espinhos e formato um tanto inusitado. É ovalado e se apresenta em ramas, nascendo como trepadeira, em qualquer terreno, sem muitas cerimônias. Se faz calor, lá estará o maxixe, que não é um artigo exclusivo brasileiro mas que tomou toda a América. Seu berço é África, mãe de todos.

Curiosidade: No Brasil Colônia, os negros tiveram uma participação na cozinha dos senhores, não apenas nos ingredientes mas na forma de preparo. Cozinhar com leite de coco ou azeite de dendê era uma forma de não perder a sua origem. A pimenta também, origem afro que se deu bem ao paladar brasileiro.

É um alimento forte que surge de uma cozinha simples, porém nada menos deliciosa. Acompanha o feijão de corda, a feijoada, alguns escaldados e cozidos, além de poder ser em outros momentos a estrela central de pratos como a maxixada. Ah, pode virar até picles! É nutritivo, não contém quase nada de calorias e é o primeiro verde a surgir no sertão após a seca, anunciado as primeiras trovoadas. Mais simbólico impossível. Das hortas simples, o maxixe pula para a panela, sobretudo do Norte e Nordeste desse Brasilzão.

Como dizemos, a sua origem é africana e foi trazido juntamente com os escravos e se adaptando aos modos da alimentação brasileira. Historicamente, dizem que foram os portugueses que trouxeram as primeiras mudas, como forma de estratégia de dominação e “adaptação” dos escravos em terras brasileiras. Depois, não apenas o maxixe, como a pimenta, por exemplo, também vieram das mãos dos negros. É bom ressaltar que o Brasil é uma grande mistura e não seria diferente com o que é posto na mesa. A base da alimentação tupiniquim é uma mescla de influências europeias, indígenas e africanas.

Anteriormente, os alimentos foram a causa de guerras, conflitos, pesados investimentos econômicos, proibições religiosas e moldou o mundo como ele é hoje. A expansão de impérios e países se deu pela caça de especiarias, cana-de-açúcar, café e até mesmo sal. As fronteiras se transformaram e o mundo se viu globalizado. O transporte de plantas e artigos de alimentação também influenciaram esses aspectos, com esse intercâmbio, alimentos foram introduzidos e se adaptando as terras daqui e às panelas.

O maxixe é encontrado em feiras e mercados populares. Em alguns lugares, ele vem em ramas, presos juntos. Em outros separados e com os espinhos já aparados. O segredo é escolher sempre os esverdeados, pequenos e firmes. Acompanha bem com coentro, cebola e tomates. Mas, é uma leguminosa que é versátil, tanto que a sua imaginação é que comanda o preparo. Bora lá?

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