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Você sabe o que é Miriti?

Você conhece o Brinquedo de Miriti?

Todos os anos, Belém do Pará interrompe o seu movimento para deixar passar o seu maior evento. Um momento em que todos esquecem do peso do mundo nos ombros, usam a sua melhor roupa, comem como um rei e agradecem as graças alcançadas. É o Círio de Nazaré, a maior e mais antiga celebração religiosa do Brasil.

É um cortejo que reúne quase dois milhões de pessoas que, ao longo de 5 km, puxam o cordão da Berlinda. A pé, percorrem o caminho colorido pelos brinquedos de miriti, emocionam-se e pagam promessas.

E, tudo começou há mais de 200 anos, quando um certo Plácido dos Santos encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré em um altar natural num igarapé e a levou para casa. A santa, no entanto, tinha vontade própria e sempre voltava para seu lugar de origem, deixando a todos deslumbrados com seu feito. De tanto ir e vir, o governador mandou colocá-la na capela do Governo, guardada por soldados. Mas mesmo assim, ela voltou a retornar ao igarapé durante a noite.

Não teve jeito, construíram uma capela às margens do rio e assim o seu milagre caiu de boca em boca até se tornar essa grande celebração e essência do DNA paraense.

Curiosidade: A palavra Círio tem origem no latim  “cerus” e significa vela grande de cera. Em Portugal, os círios eram grupos de pessoas que faziam romaria até a vila de Nazaré,  carregando as suas velas  e percorrendo o trajeto de adoração. Aqui no Brasil, essa tradição continuou no segundo domingo do mês de outubro, rasgando as ruas da capital do Pará, sendo chamado como “Natal paraense”.

Origem do Brinquedo de Miriti

A romaria carrega várias manifestações do imaginário imaterial do universo amazônico, e um deles é o brinquedo de miriti, herança que passa de pai para filho, representando figuras do mundo do ribeirinho e esculpidos pelos moradores da cidade de Abaetetuba, a 122 km de Belém. A feira dos brinquedos de Miriti ocorre no sábado e domingo do Círio, nas praças do Carmo e Frei Caetano Brandão.

O nome Abaetetuba tem origem do tupi e significa “homem forte” ou “homem verdadeiro”, e isso tem muito a ver com as suas origens e seu modo de representar a realidade a sua volta, intimamente unida à palmeira flexível que dá vida aos brinquedos de miriti e ao sustento de várias famílias da região. O homem forte é aquele que se adapta ao ambiente e sobrevive à mata, e esses brinquedos são a prova disso.

Dizer quando começou a confecção dos brinquedos é difícil, afinal ninguém sabe ao certo como quando tudo nasceu. Acredita-se que alguma criança descobriu a facilidade de esculpir o miriti para servir de brincadeira e, com o tempo, o ato lúdico se tornou coisa de gente grande. Antigamente, a sua elaboração era totalmente natural; conforme o emprego de novos materiais, como tecidos e metais, o artesanato foi se adaptando às novas tendências, nunca deixando de ser voz da vida dos moradores das margens do rio e um retrato do folclore brasileiro.

Há relatos que eles estão presentes desde o primeiro Círio de Nazaré, em 1793. A partir de 1905, eles foram integralmente associados à procissão.

A matéria-prima da criatividade

O miritizeiro é um tipo de palmeira muito comum na região norte e na vida do ribeirinho, sendo empregada em diversos fins, desde na alimentação, com seus frutos, até na produção de canoas. Ela também recebe outros nomes, como o Buriti-do-brejo ou isopor do Amazonas. Nasce em terras alagadas, especificamente igarapés, cuja vida pulsante de dentro da mata, movimenta-se e traz à tona a floresta.

O seu consumo é marcado pela sustentabilidade! Da planta que chega a 50 metros de altura, são retirados apenas os seus braços, possibilitando que nasçam novos. E dos braços retirados, tudo se aproveita – dos frutos ao caule, os quais possuem a folhagem e talas utilizadas para se fazer cestas, enquanto o seu interior, chamado de bucha, é direcionado à fabricação do brinquedo de miriti.

Festejar é brincar

Celebrar é voltar a ser criança. É pular, dançar e explodir de alegria. A festa do Círio de Nazaré tem este formato, ornamentada com tecidos e os brinquedos de miriti coloridos. O aspecto lúdico revela o cotidiano do povo amazônico, retratado nas figuras da floresta e do próprio homem em seu dia a dia. Um olhar dos meninos sobre a vida de gente grande.

O brincar também expressa a fé, na representação como pagamento de promessas, cujos brinquedos são transformados em ex-votos e carregados ao longo da procissão, elaborados em forma de embarcações para lembrar os sobreviventes de naufrágios dos rios da região. Essa é uma das grandes graças de quem vive sobre as águas temperamentais dos rios amazônicos.

E assim, o brinquedo de miriti ganhou o mundo, e a sua cidade natal, Abaetetuba, ficou conhecida como a “Capital Mundial do Brinquedo de Miriti”, traçando o paralelo entre o artesanato e a arte, além de representar a fé.

 

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