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Você sabe o que é Pequi?

Pequi e o sabor do cerrado.

A gramática é a observação de fenômenos da linguagem, que compreende o âmbito da fala e da escrita. Ela pode tanto descrever tais fenômenos como também estipular as regras de seu funcionamento. É ainda um marcador da sociedade, tal como em outros tipos de sistemas: a arte, os mitos, as ideologias políticas e a culinária.

Para entender um lugar é preciso provar seu sabor e sentir seu aroma. Para entender um povo é preciso saber como consomem e preparam o seu alimento – essa é a gramática da culinária que dá sentido às coisas ditas banais, porém essenciais para construção da sua cultura. Afinal, o alimento é mais que uma substância que sacia a fome, ele é um símbolo de quem somos. Ou parte integrante de nós mesmos.

Em “Grandes Sertões: Veredas”, a gramática da culinária forma dança junto das palavras e do significado. A comida é um marcador temporal da memória, como a tradução da cultura dos seus personagens. Assim, quando se faz chover no espaço que é contado a história, pelos olhos de Ribaldo, via-se o milho que crescia em roças, o sabiá que havia dado cria, a gameleira que pingou frutinhas, o pequi amadurando no pequizeiro e que ao cair no chão, vira alimento de todo tipo de animal e humano. Era verão, tinha pitanga e caju nos campos. Esse é o sabor do cerrado e das pequenas partes do interior do Brasil às quais nascem em alegria e pura festa, depois de seis meses adormecidos.

O fruto, suas raízes e seu interior

Pequi, pequiá, piquiá-bravo, pequiá-pedra, grão-pequiá, amêndoa-de-espinho ou suari. É possível dar vários nomes ao mesmo fruto que também frequenta as crônicas de Xico Sá e a sua infalível “Receita para passar o pior agosto”: com a barriga cheia de pequi – claro!

É do fundo do Brasil, em solo sertanejo, que essa frutinha com sabor e cheiro marcantes brota do chão em árvores tortuosas, rústicas, fortes, com folhas secas e flores atrativas. Do tupi, deu-se a  junção entre py e qui, que respectivamente são casca e espinho. Do índio ao sertanejo, todos comem pequi.

Assim como de praxe à vegetação do cerrado, o fruto do pequi tem alguns espinhos que dificultam a sua prova. Para entender o pequi, deve-se compreender a sua anatomia peculiar. Uma casca grossa verde, com interior mais claro, seguido pelo caroço que possui uma camada cremosa e perfumada em tons amarelados. Esse é o limite, a camada dura e os espinhos, que vêm a seguir, podem trazer infortúnios, escondem a amêndoa do cerrado. Não é fruta que se morde mas que se chupa, alguns dizem em roer a poupa, fica a cabo dos degustadores. Nada muito difícil, porém merece um certo zelo para não acabar machucando a boca. Todo cuidado é pouco, mas vale muito à pena – afirmam mineiros, goianos, pernambucanos e vários outros gentílicos.

Dica: Conheça essa e demais gastronomias locais no blog Meu Roteiro RDC. Começando por Você sabe o que Munguzá?

Uma fruta que deveria nascer com instruções de uso, embora seu consumo seja praticamente um ritual corriqueiro dos meses que se prolifera pelo sertão. De novembro a fevereiro quem gosta de Pequi vai estar com as mãos e a boca ocupadas a devorando.

O caroço,  como falamos, guarda uma surpresa que muitos de fora da região Centro-Oeste não conhecem. A sua amêndoa não fica atrás das europeias e podem ser degustados em saborosos licores e bons pratos – mas há de ultrapassar os espinhos.

O fruto todo é aproveitado, transformando-se em diversos produtos como farinha, sabão, cosméticos, corantes e medicamentos sempre com o toque artesanal.

Curiosidades: Em Goiás o pequi é rei. Se a maioria não é lá muito fã de sertanejo, de pequi são. E como são. Põe-se pequi em tudo que é prato, desde a famosa Maria Izabel até em compotas mais refinadas. De certo, o arroz com pequi ou a galinhada com pequi são os mais ícones e o que devem ser provados, sendo o prato com a galinha o mais especial das noites natalinas.

Galinhada ao pequi

A galinhada é um prato oriundo dos bandeirantes, que de origem portuguesa, preparavam um cozido de arroz com a galinha. Graças as rotas dos tropeiros que usam as estradas dos bandeirantes, o prato teve um legado que até hoje vem deixando muitas pessoas com água na boca. Arroz, galinha, linguiça e pequi numa panela só.

Na década de 70, o escritor Ziraldo escreveu um texto n’O Pasquim sobre aquele que seria o prato revolucionário da cozinha goiana, levando a iguaria ao conhecimento de muitos. Todo mundo queria comer a famosa galinhada. Dizem que ajuda a curar uma ressaca e dizem que fica melhor ainda com pequi.

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