Carregando...

À sombra de um vulcão e na companhia de ursos: bem-vindo ao Parque Nacional Katmai

Bem-vindo a uma nova aventura por um mundo diferente de todos que você já visitou. Hoje a proposta é desvendar um cantinho do planeta que consegue unir diversidades sem medidas, história e uma vista de tirar o fôlego. Bem-vindo ao Alasca. Aqui você vai encontrar um lugar fora do comum, repleto de vida e distante daquele lugar inóspito que teimamos em associar.

O Alasca é um estado dos EUA que carrega em si contradições. É um dos maiores em quesito territorial, e o menos habitado. Clima polar que varia entre -24 °C a 8 ° C, com variantes de branco que até possuem nomes, frio que dói os ossos. Muito próximo ao Ártico, muito próximo à Rússia. Ali, o Estreito de Bering dá as mãos ao Oriente e possibilitou, segundo algumas teorias, o surgimento do homem na América. Advertimos que esse solo é repleto de memórias, que ainda titubeamos em não conhecer como se deve.

Imaginar o Alasca é logo se remeter os esquimós e seus iglus. Mas, uma coisa que vai surpreender você nessa viagem épica, a paisagem. Praias, tundras, florestas de coníferas, montanhas, vulcões e até mesmo um estranho deserto – e, claro, as geleiras – somam ampliando qualquer aventura por mil. Para nós, um prato cheio de emoções.

Perto da Natureza Selvagem

Cristopher McCandless era um recém-formado de família abastada, que nos idos de 1990, resolveu dar um rumo diferente do habitual. Abandonou a sua vida para conhecer outra. Percorreu vários estados dos EUA até chegar ao Alasca, e lá teve sua apoteose. Esse é o enredo do filme “Na Natureza Selvagem” (2007) que se baseou na vida desse jovem e revelou ao mundo o cenário de fundo, o Alasca, e uma ótima trilha sonora de Eddie Vedder.

Na história, Cristopher, em seus últimos dias de vida, se refugiou em uma velha carcaça de ônibus, o Magic Bus, que logo se tornou um ponto turístico um pouco perigoso, podemos dizer assim, por estar cravado em um parque nacional destinado à preservação – e também cravado no meio de uma natureza selvagem, literalmente. O Alasca é composto por diversas reservas naturais, como nosso destino, o Parque Nacional Katmai.

Parque Nacional Katmai – ursos e vulcões ao seu dispor

Não há estradas que levem a esse destino. O acesso é feito apenas por barco ou hidroavião, além do mais, poucas pessoas estão liberadas a conhecer esse paraíso reservado, antes mesmo das restrições causadas pela pandemia.

São quilômetros de reserva natural em que caçar é proibido, fazendo assim, morada para salmões e os divertidos ursos-pardos, os quais receberam uma certa fama devido à Câmera Urso e o concurso “Fat Bear Week”. Outras atrações estão em sua riqueza arqueológica, com sítios e uma memória que remonta 9 mil anos, e à sombra de um vulcão que ainda está ativo.

Em 1918, Katmai foi declara monumento nacional para preservar o laboratório vivo formado a partir da erupção cataclísmica do vulcão da região do Vale das Dez Mil Fumaças que devastou a região, em 1912.

No dia 6 de junho de 1912, após vários terremotos atípicos, o céu se escureceu e esse pedaço do mundo desapareceu por volta de 60 horas. Sem sol, com fumaça e forte destruição, a erupção do Navarupta-Katmai foi conhecida como a maior do século 20. Por sorte, não havia pessoas naquela região. A paisagem de vegetação típica se transformou em pedra-pomes e fumaça. Crateras se abriram e a terra se tornou cinza.

Depois que tudo se estabilizou, percebeu-se ali uma ótima oportunidade para iniciar a proteção ao planeta, o que possibilitou que fosse lar a inúmeros animais característicos da região. Por conta de um vulcão, a natureza permaneceu praticamente intocável, o que foi muito propício para o início dos estudos sobre atividades vulcânicas e seus impactos no clima.

Localizado no Anel de Fogo do Pacífico, a região de Katmai, e o Alasca, por regra, é uma zona em que abriga cerca de 80 vulcões ativos no mundo, sendo responsáveis por 90% de todos os terremotos que ocorrem no planeta. É um lugar em que a terra sempre está em movimento, porém, consegue permanecer praticamente intacta. E o mais impressionante: com uma paisagem própria que se regenerou e mudou. Perfeita para área de proteção da vida selvagem.

Esse cuidado é importante para a preservação dos ursos-pardo. Aliás, essa é a atração principal do parque, conhecer esse mamífero em seu habitat natural, livre como se deve ser.

Uma experiência imersiva com direito a presenciar cenas impressionante dos ursos se alimentando, nadando com seus filhotes, tranquilos. Aqui, você pode se sentir como dentro de um documentário, só que ao vivo e a cores.

Como é essa experiência?

O seu destino inicial é a cidade de Anchorage, que servirá de base estratégica. A maior cidade do Alasca recebe voos e os visitantes em busca de novos caminhos. Dali sairá a sua carona para o famoso parque. Todos a bordo, é hora de extrapolar as suas expectativas. Que devem já estar no topo do vulcão.

O ponto mágico desse passeio é à beira da foz do rio Brooks e às margens do lago Naknek, no centro de atividades chamado Brooks Camp. Agora, imagine só ter como “colegas de quarto” mais de 2 mil ursos? Tem a opção de se hospedar em ótimas pousadas ali por perto, ou para aqueles que estão apenas por algumas horas de visitação, tem o auxílio monitores que o farão aproveitar todos os segundos desse passeio.

Prepare-se para estar muito próximo aos grandes ursos fazendo seu almoço, pescando e vivendo a sua liberdade. Você pode assistir esse encontro em um mirante com vista para uma cachoeira. Ali a festa acontece. É fartura que não tem fim.

O melhor mês para essa visita é em julho. Não está tão frio assim e os ursos não estão hibernando. É hora de brindar à natureza como ela merece. Mas, sempre esteja atento a mudanças do tempo, como chuvas e afins. Aproveite para caminhar, andar de caiaque e pescar dentro do rio com águas até a cintura.

“Quando eu ando ao lado dela, eu sou um homem melhor”. Essa é a tradução da música Hard Sun, de Eddie Vedder, trilha sonora do filme “Na Natureza Selvagem”. Aqui, podemos fazer uma tradução de quão importante é estarmos andando lado a lado da natureza, preservando e deixando-a livre. A experiência no Parque Nacional Katmai é a prova que podemos ser melhores sempre na companhia das forças que conduzem o nosso planeta. Home, urso e vulcão. Cada qual sendo selvagem a sua maneira, cada qual contando a sua história. Viva a natureza!

 

 

 

 

Deixe um comentário