Carregando...

Caminhando pelo coração de BH

Circuito Liberdade, quadrilátero cultural no centro de Belo Horizonte, integra prédios públicos antigos transformados em espaços culturais interativos que podem ser explorados a pé – uma deliciosa forma de conhecer a cidade.

Por Maria Luxia Capella Botana

Belzonti, Belô, Beagá, mas também pode chamar de “Cidade-Jardim”, graças às suas praças, alamedas e jardins que enfeitam a cidade desde o final do século 19, quando Belo Horizonte foi totalmente planejada para substituir Ouro Preto como capital de Minas Gerais. Quarteirões simetricamente distribuídos e amplas avenidas cortadas em diagonal são traços do projeto inspirado na arquitetura urbanística de Paris e de Washington, seguindo a filosofia de modernidade como pedia a jovem república brasileira.

A Praça da Liberdade, na região central da cidade, representa bem esse momento da história do Brasil e de Minas Gerais. Foi ali, em 1897, juntamente com cinco prédios do governo, que a cerimônia de inauguração da Cidade de Minas foi realizada. Só em 1901 o nome da cidade foi alterado para Belo Horizonte, a pedido da população. Todo o complexo da praça foi tombado em 1977 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais- IEPHA. E em 2010, quando a sede do governo mineiro foi transferida para a belíssima Cidade Administrativa, projetada por Oscar Niemeyer, no bairro de Serra Verde, os antigos prédios das secretarias ao redor da praça passaram a abrigar museus e espaços culturais, tornando-se o maior complexo cultural do país. São mais de uma dezena de espaços que apresentam diferentes aspectos do universo artístico e cultural de Minas Gerais. Para a nossa alegria de viajante, podemos conferir (na maioria das vezes, gratuitamente) como a tecnologia e a criatividade uniram o passado e o presente, proporcionando várias opções de passeios divertidos, repletos de conteúdos relevantes.

Comece o passeio por onde a cidade começou

Inicie sua caminhada pela manhã, na icônica Praça da Liberdade, construída no ponto mais alto da área inicial da cidade. Passeie pelos jardins com traçados inspirados no Palácio de Versalhes, refresque-se nas fontes, passeie pelas alamedas, ande entre as palmeiras imperais que ladeiam o caminho que leva ao belíssimo Palácio da Liberdade, construção de 1897 que mescla os estilos art nouveau, neoclássico e mourisco. Em 2018, o palácio voltou a ser o local oficial de trabalho do governador de Minas Gerais.

Memorial Minas Gerais Vale

Localizado onde foi lançada a pedra fundamental de Belo Horizonte, o memorial faz uso desse fato para, em 31 espaços interativos, apresentar a história, a literatura, a moda, festas populares, artesanato, arqueologia e o patrimônio de Minas Gerais, misturando o real e o virtual. No local estão expostas obras de artistas mineiros como Guimarães Rosa, Lygia Clark, inspirações de Drummond de Andrade e o trabalho fotográfico de Sebastião Salgado. Entrada é gratuita.

O imperdível Conjunto da Pampulha

Os quatro prédios construídos ao redor da Lagoa da Pampulha foram declarados Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO e representam a fase moderna de Belo Horizonte. Construídos entre 1942 e 1943, em estilo modernista, integram arquitetura, artes plásticas e paisagismo. Levam os traços arrojados do arquiteto Oscar Niemeyer, o projeto paisagístico de

Roberto Burle Marx e a arte de Cândido Portinari no painel externo de azulejos da Igreja de São Francisco de Assis. Além da igreja, também fazem parte do conjunto, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Golfe Clube (Iate Tênis Clube). Na região da Pampulha estão atrações como o Mineirão, Museu do Futebol, Jardim Zoológico, Aquário e, para pedalar e fazer piqueniques, o Parque Ecológico Francisco Luís do Rego, com 300 mil metros quadrados.

Museu das Minas e do Metal

No famoso Prédio Rosa, na Praça da Liberdade, prepare-se para seguir Dom Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina e até Xica da Silva como cicerones de um passeio às principais minas do estado. É assim, com muita tecnologia, usando personagens históricos e fictícios, que o museu envolve os visitantes e apresenta o universo dos metais e dos minerais, as duas principais economias e riquezas de Minas Gerais. Entrada é gratuita.

Um planetário espaço do conhecimento

Observar o céu de maneira divertida e instrutiva é uma das atividades do Espaço do Conhecimento que conta com um terraço onde estão instalados dois telescópios. Na pauta do espaço constam exposições, cursos, oficinas e debates. É cobrada taxa de ingresso.

Centro Cultural Banco do Brasil

Instalado no prédio amarelo da Praça da Liberdade, projetado pelo arquiteto Luiz Signorelli, fundador da Escola de Arquitetura de Minas Gerais, o prédio mistura influências neoclássicas e art déco. Foi inaugurado em 1930 para abrigar a Secretaria de Segurança e Assistência Pública. Vale conferir a arquitetura interna e a extensa programação cultural que vai de teatro a cinema, exposições de arte, música, dentre outras atrações.

Edifício Niemeyer

Ao lado do Centro Cultural BB, na esquina com a Avenida Brasil, as personalíssimas linhas curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer podem ser admiradas no prédio que leva o seu nome, inaugurado em 1955, e lembram as linhas da Serra do Curral que emoldura a cidade. Aproveite a localização e estenda a sua caminhada até os barzinhos da Savassi.

Palácio das Artes

Localizado ao lado do parque, o Palácio das Artes, com 18 mil metros quadrados e arquitetura assinada por Oscar Niemeyer, é o maior centro de difusão cultural de BH e sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Inaugurado em 1971, é palco perfeito para apresentações de óperas, peças teatrais, concertos e outros espetáculos. Antes de viajar, procure consultar a agenda do espaço.

Parque Municipal Américo Renné Giannetti

É um big oásis de 182 mil metros quadrados no centro de Belô, uma ilha verde no meio da cidade. O local é perfeito para fazer caminhadas, praticar exercícios e curtir a natureza. Inaugurado em 1897 e projetado pelo arquiteto e paisagista francês Paul Villon, o parque tem estilo romântico inglês e é formado por mais de 280 espécies de árvores centenárias como figueiras, jaqueiras, flamboyant e mais de 100 espécies de aves, além de lagos, lagoas, parque de diversão, orquidário e teatro. Aos domingos, na Av. Afonso Pena, em frente à entrada do parque, acontece a tradicional e concorrida “Feirinha Hippie”, com mais de 2.500 barracas dos mais variados produtos.

Cores e sabores no Mercado Municipal

Quem vai ao centro de Belô não pode deixar de passar no Mercado Municipal . Com mais de 80 anos de idade, o mercado foi considerado o símbolo da cidade por votação popular, quando BH completou 120 anos. Não é para menos, é uma síntese da cultura mineira e ponto de encontro dos belo-horizontinos. Em seus 14 mil metros quadrados, 400 lojas oferecem desde produtos alimentícios até artesanato e comidas típicas, com restaurantes como o Casa Cheia, um dos mais premiados do Festival Comida di Buteco, com o prato Poronóbis de Sabugosa – carne suína, linguiça calabresa, milho verde e folhas de ora–pró-nobis com especiarias.

Capital do boteco

“Se não tem mar, tem bar” dizem os belo-horizontinos, portanto o apelido não é por acaso, nem o fato de o tradicional Festival Comida di Buteco ter começado em Belô para só depois ganhar outros 15 estados brasileiros. Confira a fama da cidade, sem se afastar do coração de BH. Siga até o histórico Edifício Maletta, suba até o 2º. Andar, onde há bares e restaurantes com mesas na varanda com vista para o horizonte urbano, como a famosa Rua da Bahia, lugar em que caminhavam poetas como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Navas. Outra opção é ir a Savassi, área nobre no centro-sul da cidade.

No local, não faltam bares, botecos, restaurantes e casas noturnas. Também vale seguir um pouco mais adiante e dar um pulinho até o bairro boêmio de Santa Tereza, na zona leste, onde nasceu o movimento Clube da Esquina, na década de 60, de músicos como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e também grupos como Sepultura e Skank. Em todos os bares da cidade, a pedida é cerveja gelada, cachaça da boa e comida mineira. Encerre seu passeio no ponto mais alto do Parque das Mangabeiras, no Mirante da Mata, na zona centro-sul da cidade, para uma das mais belas vistas do parque, da cidade e da Serra do Curral.

 

Deixe um comentário