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#ConsciênciaNegra Lugares no Brasil para conhecer mais sobre a cultura negra

São Paulo

A cidade de São Paulo é, sem dúvidas, uma cidade multicultural. É um destino que oferece muitos roteiros, incluindo do afroturismo. A proposta é conhecer com esse olhar essa cidade tão grande e complexa.

É no Centro da capital que se encontra a maioria dos migrantes africanos, construindo, na República, uma mini África. Por essa região, na Galeria do Reggae e na Galeria Sampa, você encontrará um reduto africano, com boa comida, salões de cabeleireiro, produtos ligados ao reggae e tabacaria. Para conhecer a cidade por outro viés, a Caminhada São Paulo Negra é um roteiro que desmistifica alguns locais, como o famoso bairro da Liberdade, trazendo a história do Largo da Forca e a Capela dos Aflitos, onde as pessoas negras eram torturadas, mortas e enterradas nos séculos 18 e 19.

CURIOSIDADE: A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte foi construída em 1728 pela Irmandade dos Homens Pardos de Nossa Senhora da Boa Morte. O seu nome faz referência ao hábito de escravos condenados à morte no Largo da Forca (atualmente, Largo da Liberdade) de entrarem na igreja para pedir uma boa morte à Nossa Senhora. Outro fato importante é que foi nessa igreja que, pela primeira vez, negros e brancos se sentaram lado a lado em uma igreja na capital.

O Museu Afro Brasil é outro passeio que não pode faltar em seu itinerário. Situado no Parque do Ibirapuera, oferece o contato com um acervo que visa dialogar com temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, e outros temas que registram a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.

 

Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro inspira pelas suas belezas naturais, pelo seu gingado e também pelo seu ritmo. Estar no Rio é visitar uma Escola de Samba ou alguma roda de samba tradicional, como Roda de Samba da Pedra do Sal. O local tem uma história interessante: no século 17, era ali que o sal vindo de Portugal era descarregado pelos escravos. Com o passar do tempo, a Casa de Zumbu serviam como local de acolhimento para negros alforriados, onde podiam compartilhar, jogar capoeira e dançar jongo. Na década de 20, esse local começou a reunir figuras do samba, como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres, tornando-se o principal ponto de encontro dessa galera. Hoje, a Pedra do Sal é tombada e abriga remanescentes do Quilombo Pedra do Sal.

A história se faz viva pelas ruas do Rio, em forma de museu a céu aberto, no antigo Cais do Valongo que foi construído para esvaziamento do comércio de escravos da antiga rua Direita, onde estava o Paço Imperial, sede do governo português. Esse local foi encontrado por acaso quando durante a construção do Porto Maravilha, encontraram vestígios do que seria esse mercado de escravos.

Podemos dizer que a história se faz resistente ao preservar os fatos, mesmo quando o homem deseja apaga-la. Em 1843, foi construído em cima do Cais Valongo, com a ideia de esquecer a memória do tráfico de negros por ser considerado um comércio condenado.

Alagoas

Próximo a Maceió, cerca de 80 quilômetros, União dos Palmares está viva e ainda resiste durante tantos anos. Falar do dia da Consciência Negra e não falar de Zumbi, é impossível. O dia de 20 de novembro é dia desse líder que no Quilombo Zumbi dos Palmares constituiu uma comunidade livre, formada por negros que fugiram da escravidão nos engenhos, índios e brancos expulsos das fazendas. Era uma pequena cidade com quase 30 mil pessoas, divididas em 11 povoados. Hoje, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é o atrativo turístico, com a reconstituição do ambiente da Antiga República dos Palmares.  O quilombo é patrimônio histórico e recebe visitas.

Bahia

E nas ladeiras de Salvador, ao som do tambor, a cor é sinônimo de resistência e muita história. O Pelourinho é um bairro histórico importante de Salvador e da humanidade. Além de guardar os vestígios do que foi a primeira capital brasileira, a cidade possui 80% da população autodeclarada negra, também conserva a memória. Entre casarões e igrejas dos séculos 17 e 18, a igreja barroca Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é a mais conhecida.

Engana-se quem acha que ali é um lugar ultrapassado. Ali fervilha cultura e uma atmosfera jovial e alegre, entre museus, centros culturais, bares, restaurantes e ensaios de grupos de percussão espalhadas pelas ruas do bairro. O pelourinho de Salvador remete ao século 16 e era ligado ao Elevador Lacerda e ao Mercado Modelo, onde abriga em seu porão uma antiga senzala.

No Bairro da Liberdade, na década de 70, começaram a surgir as agremiações carnavalescas somente para negros. Uma das mais famosas é o Bloco Ilê Aiyê, que foi seguido do Malê Debalê, Olodum, Muzenza, Cortejo Afro, Afro Bankoma, Didá, entre outros. Através das músicas, os blocos falam sobre a valorização da cultura negra e a luta contra o preconceito.

 

 

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