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Na pista de Agatha Christie

A Riviera Inglesa guarda mistérios a serem desvendados de uma certa senhora que entendia de cianureto, arsênico e estricnina como ninguém.

 A poucas horas de viagem de Londres, a paisagem ensolarada da Riviera Inglesa surpreende. Isso porque, diferentemente do típico nevoeiro londrino, a vida à beira-mar na região é também acompanhada de uma aura de tranquilidade, que só é possível devido à mistura de praia e campo. Nesse pedaço de litoral, apinhado de casinhas simpáticas e um píer convidativo, há, ainda, importantes sítios arqueológicos, onde se encontram vestígios da época romana. No entanto, são as histórias de uma local que colocam a Riviera Inglesa no mapa. Afinal, quem nunca se encantou — ou arrepiou os cabelos — com os contos de Agatha Christie? Filha mais célebre desse balneário, Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em 15 de setembro de 1890, no número 15 da Barton Road, na cidade de Torquay. Conhecida como a Dama do Crime (ou Rainha do Mistério), a autora viveu boa parte de sua vida na região que ainda a homenageia, todos os anos, com o International Agatha Christie Festival. No início do século 19, Torquay era o reduto da elite britânica que, no verão, queria fugir do clima ameno de Londres. A cidade foi escolhida pela família Miller como morada devido ao apreço da matriarca pela região. Infelizmente, a casa onde a escritora nasceu não existe mais, mas há uma placa sinalizando o lugar — que é, também, o ponto inicial de um roteiro diferente, inspirado por essa ilustre cidadã que viveu na contramão de uma época.

“Enfermeira da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, Agatha Christie tinha a chave do armário de medicamentos e conhecia bem de perto seus efeitos, o que só contribuiu ainda mais para suas histórias.”

 

Seguir pela Agatha Christie Mile, passando pelo porto de Torquay, é importante para entender o charme peculiar do local. Há um quê de sinistro no ar emanado dos casarões vitorianos, testemunhas de um passado glamoroso, porém marcado pela guerra. Um cenário perfeito para o imaginário da escritora — e os 68 crimes dos quais foi autora. No passeio, é possível voltar no tempo e imaginá-la assistindo a peças no Princess Theatre, andando de patins com as amigas no Princess Pier e festejando nos chás e bailes da alta sociedade no Imperial Hotel, cujo salão e quartos estão presentes em três de suas obras: “A Casa do Penhasco” (1932), “Um Corpo na Biblioteca” (1942) e “Um Crime Adormecido” (1976). Mais adiante, chega-se ao local que serviu como inspiração para “O Assassinato no Campo de Golfe” (1923). Enfermeira da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, Agatha Christie tinha a chave do armário de medicamentos e conhecia bem de perto seus efeitos, o que só contribuiu ainda mais para suas histórias. Nos jardins da Torre Abbey Garden, um dos pontos mais famosos da cidade, ainda se cultivam tanto os venenos quanto os antídotos que tanto fizeram fama em seus romances. Outro ponto interessante a ser explorado é o Museu Torquay, na Babbacombe Road, que abriga memórias e manuscritos originais da autora.

 

A residência em Greenway Adquirida por Agatha Christie em 1938, a mansão de Greenway foi, a princípio, um refúgio para escapar do assédio de admiradores e jornalistas. Às margens do Rio Dart, ela vivia diasde anonimato na casa de estilo georgiano, hoje aberta à visitação pública. Do lado de dentro, os cômodos preservados guardam verdadeiras relíquias, com objetos que aparecem em suas obras. Estão ali a arca iraquiana do conto “Mistério do Baú de Bagdá”, o instrumento presente em “A Segunda Batida do Gongo” e a bolsa de tacos do “Assassinato do Campo de Golfe” (1923). Ao visitar a residência, é impossível não imaginar quantas aventuras caberiam nos cômodos de sua casa. O closet ainda guarda suas roupas, coleções de caixas se espalham pelos ambientes e, na biblioteca praticamente intocada, outras histórias fascinantes seguem preservadas.

 

 

Na cena do crime

Elberry Cove

A praia de cascalho entre Brixham e Paignton, em Devon, foi cenário da morte de Sir Carmichael Clarkedo, no livro “Os Crimes ABC” (1936).

 

Kingsbridge

Na ficção, o local foi rebatizado de Saltington. No litoral sul de Devon, é cena para um assassinato no alto de um penhasco, em “Zero Hora” (1944).

 

Burgh Island

Em Bigbury Bay, perto de Plymouth, a ilha é o palco de “E Não Sobrou Nenhum” (1939) — no livro, recebe o nome de Soldier Island.

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