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Na rota do Turismo Cervejeiro

Ribeirão Preto, Vale do Itajaí e Região Serrana do Rio de Janeiro protagonizam um novo tipo de turismo ao redor da bebida preferida dos brasileiros.

Não importa se é em torno de um monumento histórico ou de uma mesa de bar, gostar de confraternizar entre amigos é uma característica inerente ao ser humano e ganha muito mais sentido quando as duas atividades são realizadas em conjunto. Isso porque o turismo e a cerveja têm comum a capacidade de unir pessoas em momentos de descontração. Mais do que outras bebidas, a cerveja favorece a sociabilização e combina com diversas ocasiões, além disso, o ato de consumi-la vem imbuído de sentimentos relacionados à nossa brasilidade. Como parte integrante da nossa identidade cultural, a cerveja foi escolhida a bebida preferida dos brasileiros quando o assunto é comemoração de acontecimentos felizes, conforme revelou uma pesquisa feita pelo Ibope, em 2013, na qual ela aparece com 64% da preferência nacional. Nesse contexto, além dos rótulos comerciais, com o aumento da exposição sobre os temas de gastronomia na tevê e na internet, a cerveja artesanal também conquistou espaço na mesa dos brasileiros e tem inspirado um novo tipo de turismo: os roteiros cervejeiros pelo país.

É o que vem acontecendo em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde é realizado o Tour Cervejeiro, que desde 2014 já levou centenas de pessoas às fábricas para conhecerem o processo de produção das cervejas artesanais. Conhecida como a “terra do chope”, a cidade vem se tornando referência quando se fala em turismo da cerveja dada a quantidade de cervejarias na região, atualmente são nove. Inclusive, recentemente, uma filial da Cervejaria Nacional, endereço conhecido na capital, foi aberta no local.

O Tour, criado pela relações-públicas e sommeliére de cervejas Carla Valentim, acontece durante o ano todo e propõe um percurso entre as cervejarias, como Colorado, Invicta, Lund e outras. São quatro tipos de roteiros diferentes, tem um que chega a durar quase 12 horas e inclui almoço, petiscos e, claro, muitas degustações de cerveja. O passeio, que custa entre R$ 225 e R$ 275, é guiado e pode ser feito a partir de duas pessoas, mas também há opção para grupos fechados. Mas, o que de fato faz uma cerveja ser artesanal? Carla explica que há uma variação nesse conceito, pois, para alguns se trata apenas da produção em pequena escala, para outros, é a cerveja sem aditivos químicos e com bons ingredientes, independentemente da quantidade produzida. Produção artesanal ou em larga escala, a verdade é que “beber da fonte” é muito diferente do que beber cerveja envasada, porque além de não “sofrer” com o transporte e, muitas vezes, com o armazenamento inadequado, a cerveja fresca não passa pelo processo de pasteurização, que diminui o custo da distribuição refrigerada, mas faz com que o aroma e sabor sejam um pouco perdidos.

Fonte: Facebook Cervejaria Lund

Experimentar as cervejas dos chamados brewpubs (bares que produzem sua própria cerveja) pode ser uma experiência única e um bom motivo para começar a praticar o turismo cervejeiro. Em Ribeirão, como é muito calor, os principais tipos de cerveja produzidos são os estilos mais refrescantes e leves, como Pilsen, Weiss e Witbier, mas também há ótimas IPAs, Black IPAs, Rauchbier e muitas outras, cada uma com sua especificidade de sabor. No roteiro mais extenso do Tour Cervejeiro chegam a ser degustados cerca de 18 rótulos diferentes. Para alguns, essa variedade toda pode até soar como algo gourmetizado demais, mas, para Carla, a cerveja é uma bebida democrática que anda junto com a gastronomia e pode ser harmonizada desde a comida de boteco até sobremesas mais elaboradas. “A cerveja tem uma versatilidade e compatibilidade de sabor de fazer inveja a qualquer outra bebida.

Boas cervejas e culinária são garantia de uma experiência gustativa memorável. Não precisa ir aos grandes restaurantes para vivenciar essa experiência. Escolha o cardápio, determine o orçamento, pesquise e convide os amigos. Você vai querer repetir a dose”, diz. Vale ressaltar que há possibilidade de visitar as fábricas de modo independente, fora do roteiro, porém é preciso entrar em contato com cada empresa individualmente e com antecedência para fazer o agendamento. Já Blumenau, em Santa Catarina, destino conhecido pela Oktoberfest, também tem se dedicado a explorar o mercado do turismo das cervejas artesanais.

A influência germânica contribui muito para o padrão de qualidade das cervejas produzidas na região, uma vez que os alemães têm até uma lei para isso, chamada de Reinheitsgebot a Lei da Pureza Alemã prevê o preparo com apenas água, lúpulo, malte e fermento, sem adição de conservantes. Toda essa tradição e efervescência cervejeira inspirou a Rota Vale da Cerveja, que percorre o Vale do Itajaí para visitas às fábricas nas cidades de Blumenau, Brusque, Pomerode e outras. São quatros tipos de roteiro, alguns incluem opções de ecoturismo e esportes radicais, além da visita às cervejarias, como Eisenbahn e Escola Superior de Cerveja e Malte. O Museu da Cerveja é outro atrativo interessante de ser visitado, pois conta a história dos mais de 6 mil anos da bebida ao redor do mundo. A vocação cervejeira de Blumenau também inspira o Festival Brasileiro da Cerveja, evento anual que reúne os principais rótulos do Brasil. Recentemente, a cidade se tornou a Capital Brasileira da Cerveja.

Outro roteiro que tem se destacado é a Rota Cervejeira do Rio de Janeiro, que acontece na região serrana, entre as cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, onde o tour é realizado em meio ao agradável clima de montanha, com cachoeiras e parques naturais, e percorre desde as grandes cervejarias até os brewpubs. Dizem que o Rio de Janeiro foi o berço da cultura cervejeira no Brasil porque à época de Dom João VI, um apreciador da bebida, apareceram as primeiras cervejarias fundadas por imigrantes europeus. Então pode-se perceber que a relação do brasileiro com a cerveja vem desde o período colonial, que, aliada ao clima favorável, encontrou cenário perfeito para a tríade cerveja, samba e futebol, tão característico em nossa brasilidade.

TOUR CERVEJEIRO DE RIBEIRÃO PRETO

São quatro tipos de roteiros diferentes, tem um que chega a durar quase 12 horas e inclui almoço, petiscos e, claro, muitas degustações de cerveja.

ROTA VALE DA CERVEJA

Percorre o Vale do Itajaí para visitas às fábricas nas cidades de Blumenau, Brusque, Pomerode e outras. São quatros tipos de roteiro.

ROTA CERVEJEIRA DO RIO DE JANEIRO

O tour é realizado em meio ao agradável clima de montanha, com cachoeiras e parques naturais, e percorre desde as grandes cervejarias até os brewpubs.

MAS, O QUE DE FATO FAZ UMA CERVEJA SER ARTESANAL?

Além de não “sofrer” com o transporte e, muitas vezes, com o armazenamento inadequado, a cerveja fresca não passa pelo processo de pasteurização, que diminui o custo da distribuição refrigerada, mas faz com que o aroma e sabor sejam um pouco perdidos.

 

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