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Pão nosso de cada viagem

O pão é um dos alimentos mais antigos da humanidade. Aliás, é um grande marcador da nossa evolução como sociedade, o princípio de muitas outras descobertas. Podemos dizer que estamos para o pão, assim como estamos para a vida. Tanto, que esse tipo de carboidrato foi motivo de várias revoluções que moldaram o mundo que conhecemos hoje.

Um alimento simples e complexo, ao mesmo tempo. À base de farinha de trigo e água, a mágica química acontece através das leveduras que ficam de bobeira no ar, explodindo uma fermentação capaz de transformar essa massa informe em um banquete. Dividimos o pão, fazemos rituais e criamos nessa mistura de farinha e água um microcosmo de micro-organismos que liberam no fundo de nossas bocas um sabor característico, nutritivo e político.

Há hipóteses de que o pão tenha surgido muito antes do que se pensava. Pesquisadores da Universidade de Copenhague trouxeram à tona novas probabilidades de que o pão – sem a fermentação-  já fizesse parte do cardápio das tribos nômades de caçadores-coletores, lá pelos lados da Jordânia, 3 mil anos antes do previsto, quando começaram a utilizar a vegetação na sua alimentação, produzindo um alimento intermediário ao mingau e ao pão.

 

A agricultura nasceu com o cultivo de sementes desse tipo de vegetação que passou a ser plantada em locais fixos. O homem poderia fazer brotar do chão a sua comida e formar em torno dela as primeiras comunidades. Deveriam semear, cuidar e colher o grão. Ele teve segurança alimentar pela primeira vez.

O trigo prosperou depois de séculos dessa prática de cultivo na região conhecida como Crescente Fértil, no Oriente Médio. Das comunidades tribais nasceram as primeiras cidades, primeiras leis, escritas, matemáticas, engenharia como efeito colateral.

Do trigo doméstico, um mundo de possibilidades. Diferente de outras sementes selvagens, esse trigo não desprende de sua espiga à vontade do vento, é preciso que o homem a ajude na reprodução, semeando com cuidado, arando a terra e zelando para que o alimento não falte à mesa.

No Egito Antigo, os pães eram produzidos em grande escala e tinham outros formatos e até mesmo sabores. No Marrocos, até os dias de hoje, existem as padarias comunitárias em que as pessoas levam a massa de seus pães para assar aos cuidados dos padeiros.

Na Roma Antiga, os padeiros eram funcionários públicos e os pães eram cabrestos que o governo utilizava como controle de sua famosa política Pão e Circo – alimento e entretenimento. Afinal, existiam em Roma mais de um milhão de habitantes, e para um motim, bastava a barriga ficar vazia.

O tempo é irreversível em suas mudanças. Um sopro para que tudo mude, menos a importância do pão. Depois da queda do Império Romano, os germânicos começaram a controlar a moda do preparo de pães. Se antes a farinha branca do trigo era seu principal ingrediente, agora, é permitido misturar à massa outros grãos que aumentavam o valor nutricional. O pão agora é multicor e multi sabor.

No século 19, Louis Pasteur, chegou à conclusão de que a fermentação era causada por pequenos organismos que se alimentavam de açúcar e soltavam dióxido de carbono, o gás responsável pela textura areada do pão. Começou a partir daí a produção industrial do fermento, mais previsível e controlada. De um lado, uma praticidade. Do outro, menos sabor.

Hoje, há uma peregrinação em busca dessa prática mais natural da produção de massa madre, que é o início da fermentação do pão, que influencia em seu sabor. Assim como a cerveja, a massa madre confere a assinatura do padeiro, podendo ser utilizado durante muito tempo. É um organismo vivo que alimenta a vida com seu poder biológico.

 Que tal viajar pelos vários tipos de pães? Vem com a gente por aqui.

 

Bom planejamento!

 

 

 

 

Lucas

excelente leitura! Parabens a redaÇÃo.

23 de setembro de 2020 | Responder

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