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Praga – a cidade da “A Insustentável leveza do ser” 

Quando um livro nos inspira a visitar um destino para reviver cenas de personagens  e conhecer o local onde se desenrolou a história , a viagem ganha um novo significado.  A nostalgia está no ar, surpresas e novas histórias ganham vida com você como o personagem principal.

“O eterno retorno é uma ideia misteriosa […] pensar que um dia tudo vai se repetir como foi vivido […]” Essas são as primeiras palavras do livro “A Insustentável leveza do ser” (1984), do autor tcheco Milan Kundera )(1929) que tem como material literário  as relações humanas.  O romance trata das relações de dois casais, depois da invasão soviética à antiga Tchecoslováquia. Entre as nuances dos desejos e a reflexão sobre o que o peso e a leveza da vida abordados por meio de Tomás, Teresa, Franz e Sabina e seus questionamentos sobre o que é amor, está a bela cidade de Praga.

O mundo estava polarizado após a Segunda Guerra Mundial: de um lado o capitalismo com os EUA e do outro o comunismo com a União Soviética. Havia uma atmosfera densa, uma ebulição social pairando sobre os olhos das pessoas, houve muitas mudanças. Em janeiro de 1968, começou um período de reforma que pretendia transformar o país em uma social democracia, afastando de si, o autoritarismo e opressão do regime da antiga União Soviética, o qual perdurou até agosto daquele mesmo ano, quando os comunistas e aliados do Pacto de Varsóvia invadiram Praga com tanques e exército.

Andar hoje pelas ruas da capital Tcheca é não associar ao olhar da personagem Teresa, a fotógrafa que vivia com o médico Tomas que resolveu documentar a invasão soviética, os tanques de guerra que rasgavam as ruas de Praga.

“Vivera os dias mais belos da sua vida quando andara a fotografar soldados russos pelas ruas de Praga e se expusera a todos os perigos. Fora o único período em que a telenovela dos seus sonhos se interrompera e em que tinha tido noites serenas. Montados nos seus tanques, os russos tinham-lhe trazido a harmonia. Agora, que a festa acabara, voltava a ter medo das suas noites e queria fugir antes que regressassem”.

Conhecendo a cidade

Avistar algum apartamento na Stare Mesto (Cidade Velha) sem achar que algum momento irá se deparar com o casal e sua cachorra, é quase impossível. Há muita graça na capital que tem quase mil anos de existência, e que conseguiu afastar o velho espírito do comunismo que a fantasiava em ser um local sombrio. Pelo contrário, Praga é a sensação do Leste Europeu e um lugar com uma vista entre prédios góticos e muita poesia como os escritos de Milan Kundera.

A Cidade Velha é um lugar onde se concentra grande parte das atrações. Ali, em tempos normais, há uma legião de turistas, admirando – com toda certeza – a praça principal, Staroměstské náměstí (Praça da Cidade Velha). As ruas de paralelepípedos parecem se atrair por essa praça que é um verdadeiro palco ao ar livre com apresentações de artistas de dia e à noite.

Para quem ama arquitetura, ali você encontrará representantes de vários movimentos, como: o gótico da Nossa Senhora de Týn, o barroco da Igreja São Nicolau e o rococó do Palácio Kinsky. História na paisagem.

Agora, uma das atrações na Praça Velha fica por conta do Relógio Astronômico, que desde 1410 apresenta uma procissão de bonecos com inúmeros significados. Vale à pena assistir esses 45 segundos de espetáculo.

Uma cidade que ganha o nome de “Cidade das 100 Torres”, oferece uma em especial, a Torre Pólvora. Aliás, com várias possibilidades de ver a cidade de uma perspectiva elevada e,  assim como Teresa, você poderá tirar várias fotografias de Praga. Não é à toa que ela possui um dos mais incríveis skylinne do mundo.

Como o livro, a dualidade é uma marca registrada de Praga, que tem a sua oposição à Cidade Velha, a Cidade Nova. A Praça Venceslau é uma testemunha dos tempos desse bairro, ao presenciar grandes comemorações, conflitos e mudanças desse país, como a Primavera de Praga.

Ali, você encontra o Museu Nacional de Praga e o Museu do Comunismo, em ambos há um relato da história sobre a dualidade que a cidade vive. No Distrito dos Castelos, o Castelo de Praga, uma obra milenar é o número um de visitas. Outra atração na região, é o Mosteiro de Strahov, com uma biblioteca construída entre os séculos 17 e 18.

Os parques são imperdíveis, ainda mais aqueles que você pode tomar uma boa cerveja em seus jardins, como o Parque Letná, coladinho ao rio Moldava.

O rio é citado na obra, e aqui um trechinho para inspirar ainda mais a sua viagem literária por essa cidade que tem tudo para ser seu próximo destino:

 “Saiu e dirigiu-se para os cais. Queria ver o Vltava. Queria ir para a beira do rio olhar para a água porque ver água a correr acalma e cura. O rio corre de século para século e as histórias dos homens desenrolam-se nas suas margens. Amanhã ninguém se lembrará delas e, por sua causa, o rio não deixará nunca de correr.”

 

 

 

regina Aurora Prado M. ferreira

Meu grande sonho é conhecer PRAGA, sou devota do Menino Jesus de Praga e sei que ainda realizarei este sonhO.Qdo li Millan Kundera
Infelizmente 2020 não vai dar, mas para a frente irei, se deus quiser

14 de setembro de 2020 | Responder

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