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Quem come e bebe… bem faz o que se deve

Paixão nacional, a culinária portuguesa vai muito além de peixe e vinho: tem queijo e tem azeite (muito), tem pão e tem caldos (de inverno a verão), tem carne e tem doces — o que não tem é fazer dieta, ao menos por uns dias.

Por Nataly Costa

Sempre que viajam, os portugueses voltam encantados com os lugares visitados, não fosse uma reclamação recorrente: a comida. “O problema de Paris é que come- -se mal”, diz um. “Madri é bonita, mas lá uma pessoa não janta”, completa o outro. Haute cuisine, tapas, pratos individuais — nada disso agrada o português, que cultua a própria culinária como um devoto venera seu santo, como um torcedor idolatra seu time. Estando em Portugal, porém, entende- se o motivo de tamanha adoração.

Lisboa, Portugal

Primeiro, a variedade. Quem acha que em terra lusa bacalhau é rei, está certo, mas não totalmente. Além de suas mil e uma variedades (à Brás, com broa, à Zé do Pipo, frito, com natas, na brasa…), só no meio marítimo ele divide o poder com o polvo (à lagareiro com batata a murro), o arroz de marisco ou de tamboril, os mexilhões, as amêijoas (primas do sururu nordestino), o robalo e a sardinha (onipresente no mês de junho). No norte do país e no interior, os cardápios são ainda mais extensos e incluem uma infinidade de carnes e seus preparos típicos: a feijoada transmontana, a alheira de caça, as tripas, as fêveras, a vitela, os secretos de porco. Em quase todos os casos, as batatas acompanham e o azeite é ingrediente-chave não só no tempero, mas no preparo.

Enraizado na cultura local, o vinho é consumido no almoço e no jantar, seja com o chefe ou com os amigos. São tantas variedades, tantas castas e de tantas regiões diferentes que nem o português conhece todos. Mas uma coisa é certa: recomenda-se um pouco de geografia pré-degustação. Estando mais ao sul, a partir de Lisboa, vão reinar os vinhos do Tejo, do Alentejo e da Península de Setúbal, todos com ótimos exemplares de tinto, branco ou moscatel. No centro, brilha a região vinícola do Dão, enquanto o norte se sobressai com o que vem do Douro (não apenas o vinho do Porto, mas todas as categorias) e com o vinho verde produzido na fronteira com a Espanha.

E claro, há os doces. Noventa e noves por cento da doçaria tradicional portuguesa têm em comum dois itens: açúcar e ovos. É a base geral das sobremesas locais, que só variam na massa e presença ou não de amêndoas e canela. É recomendável provar todas as variações: as glorinhas (de ovo com açúcar), as queijadas (de ovo com açúcar e queijo) e as telhas (de amêndoas) podem surpreender.

 

Glossário português – português

Batata a murro: cozidas com casca, levam um pequeno (e literal) soco antes de irem dourar ao forno

Pataniscas: pedaços de bacalhau empanados em farinha. Não confundir com os bolinhos de bacalhau, que são desfiados e misturados com massa de batata

Cataplana: prato típico do Algarve, em que geralmente mariscos são preparados em uma grande panela de cobre

Bife da vazia: parte nobre do boi, é o mais parecido com o nosso filé

Esparregado: purê de espinafre

Papas de sarrabulho: espécie de sopa feita com diversas carnes, pão e farinha

Rojões: carne de porco marinada

Bifana: sanduíche com carne de porco empanada

Preg: sanduíche com carne bovina

Molotov: pudim feito de clara de ovo

 

Coma bem de Lisboa… ao Porto

1- Taberna Sal Grosso

Tradicional na oferta (peixe, porco, pato), moderna na apresentação e minimalista nos pratos.

Calçada do Forte, 22

2- Ti-Natércia

O lendário bacalhau da casa vale a reserva.

Rua Escola Gerais, 54

3- Taberna Anti-Dantas

Oferece uma inesquecível sopa de peixe no pão alentejano.

Rua São José, 196

4- O Bacalhoeiro

O melhor bacalhau do Porto está em Gaia, do outro lado do rio. É servido em mesas de frente para o Douro Gastronomia

Avenida de Diogo Leite, 74

5- Taberna d’Avó

Pequeno e familiar, com comida farta e saborosa dia e noite.

Rua de São Bento da Vitória, 48

6- Comme Ça

Apesar do nome francês, serve com perfeição a gastronomia portuguesa – o bife de atum com queijo da serra é quase incontornável.

Rua de José Falcão, 199

Bom Apetite!

 

 

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