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Uma viagem pelo Centro de São Paulo

Edifícios do centro de São Paulo vistos do vale do Amnhangabaú

A revista britânica Time Out, conhecida como um dos melhores guias de viagens do mundo, listou os bairros mais legais do planeta. Dentre eles, está o Centro da cidade de São Paulo. Esse destaque se dá pela a transformação desse lugar em um dos mais descolados de toda América Latina. De prédios decadentes da década de 60 em espaços culturais, como o SESC 24 de Maio, o bairro é um destino que agrada a todos pela sua diversidade e charme. Hoje, o convite é para nos acompanhar por essa deliciosa viagem pelo Centrão de Sampa.

Como já disse Caetano Veloso, há uma coisa que acontece no coração da gente ao cruzar as Avenidas Ipiranga e a São João. É uma mescla de sentimentos, concebidos entre prédios e multidões, que são traduzidos por inúmeras canções. Rita Lee ou Arnaldo Antunes. O som ali é polifônico. Falam-se vários idiomas, dialetos e sonhos. São Paulo é um destino para quem procura a si mesmo nas duras poesias concretas de Haroldo de Campos ou quando não entendemos o que tantas ruas têm a oferecer. Aqui, vamos mostrar que dá para encarar face a face a cidade, e ainda sonhar com o avesso dessa realidade. Vamos provar que há muito mais cores e encantamentos no centro de São Paulo.

 

Do lixo ao luxo

É unânime dizer que a maior capital do Brasil é cinza e rígida. Contudo, nem só de garoa e fumaça vive o Centro de São Paulo, não senhor. Há muitos universos que se misturam e apresentam um portfólio tão vasto quanto seus habitantes. E, por conta dessa grande mistura cultural, encontra-se em seus logradouros surpresas que aquecem nossos corações.

Houve uma época, no início do século XX que o Centro de São Paulo estava em seu auge. Com o processo de modernização do país, esse bairro recebeu várias empresas e, por consequência, seus riquíssimos proprietários. Na década de 70, a cidade foi crescendo e outros bairros nasceram, ao passo que esses ilustres moradores da zona central resolveram habitar outros endereços mais periféricos, como o Morumbi.

Com a mudança do centro financeiro e do Palácio dos Bandeirantes para outros bairros, a degradação dessa área foi crescendo, ao mesmo tempo que a qualidade de vida foi caindo. As consequências são bem conhecidas e que alimentam até hoje o imaginário do que é o Centro: delinquência, economia informal, pessoas em situação de rua e prédios sem cuidados. Na década de 90 começou um movimento de revitalização dessa área com a restauração de prédios históricos, como a Pinacoteca, Estação da Luz, Teatro Municipal, Sala São Paulo, Mercado Municipal, Estação Júlio Prestes e a construção de novos pontos culturais como o Museu da Língua Portuguesa e o Museu Catavento, SESC 24 de Maio, dentre outros.

O “Viva o Centro” transformou esses lugares decadentes em um novo centro, com diversão, com cultura, com muitas cores e muitas opções de entretenimento.

 

Do Centro Histórico ao Centro Expandido – uma viagem dentro de outras viagens

 

O Centro Histórico de São Paulo corresponde à sua fundação no dia 25 de janeiro de 1554. A Sé e a República constroem esse reduto, que guardar pontos interessantes e curiosos sobre a constituição da cidade.

Muitas pessoas saem das periferias para trabalhar e fazer funcionar a metrópole. Só para ter uma noção, a quantidade de pessoas que utilizam a Linha Vermelha do Metrô, corresponde à densidade demográfica do Uruguai. Quando falamos de horário de pico, na estação da Sé, falamos de um mar de gente, literalmente. Ao subir as escadas rolantes, deparamos com outra multidão em frente à Catedral da Sé, amontoadas na praça que preserva o paisagismo e esculturas de vários artistas, inclusive o Marco Zero da cidade e a estátua de José Anchieta, o fundador da cidade.

Vale dizer que não apenas os prédios têm a sua importância neste passeio, como também figuras que fazem parte do imaginário paulista, como os vendedores ambulantes e as pessoas que vivem por ali. A Catedral é um cartão-postal que vale a pena ser conhecida. A sua construção se iniciou no ápice da cidade, na época do café. Com a 1° Guerra e a crise de 29, o desenvolvimento da construção da Catedral foi adiado, sendo inaugurada em 1954, no aniversário de 400 anos da cidade.

CURIOSIDADE: A 7 metros de profundidade do piso do altar na Catedral da Sé, esconde-se a famosa Cripta, que abriga os restos mortais de personalidades importantes de São Paulo.

 

Seguindo adentro do calçadão, passaremos em frente aos prédios da Caixa Cultural, do antigo, mas famoso, prédio do Banespa  ( hoje Farol Santander) , da Bolsa de Valores, do Centro Cultural Banco do Brasil e de uma infinidade de ruas que se cruzam nesse tapete de paralelepípedos. Continuando, passaremos pelo Largo de São Bento, onde está o complexo do Mosteiro com seu coral de canto gregoriano e sua tradicional padaria, e a famosa rua 25 de Março, um lugar que você pode encontrar de tudo um pouco.

Desbravar essa região é admirar cada detalhe que passa despercebidos no dia a dia e nos noticiários. É achar encantador os prédios com esse ar tão europeu; é se surpreender que a cada rua diferente você encontra um presente.

Próximo à Praça da República, há diversos pontos interessantes, como a Biblioteca Mario de Andrade e o famoso restaurante Estadão. Esse restaurante é um ícone paulistano, principalmente para quem prefere as madrugadas na cidade. Sempre aberto, oferece o sanduiche de pernil como seu prato principal. Vale à pena experimentar.

Falando de sabor, o Bar do Porco e o Bar Dona Onça são referências em gastronomia e traduzem a brasilidade com toque cosmopolita que só São Paulo tem. Situados no icônico Edifício Copan, projeto de Oscar Niemeyer, esses restaurantes são outras opções para matar a fome e a sede, com bons drinks. Aliás, as largas calçadas estão sendo tomadas por mesas e cadeiras, especialmente colocadas para os frequentadores se deliciarem nesse novo normal. Ar livre no centro.

Por esses lados, também é possível conhecer o Teatro Municipal, com sua opulência clássica e seus guardiões mitológicos em fontes e chafarizes. Como o centro é o mix das contradições que vivem em perfeita harmonia, na lateral do teatro é possível encontrar grupos de skatistas praticando suas manobras. Afinal de contas, o movimento do corpo também é arte.

A Galeria do Rock é um ponto para quem procura por vinis, roupas descoladas, tatuagens e tudo que envolve essa tribo. Tem tênis, camisetas de bandas, além dessa atmosfera underground das décadas de 80 e 90.

Rompendo com o cenário, o SESC 24 de Maio surge como um oásis no meio do” caos”. Você pode tomar um café e admirar a região de cima. De quebra, dá para aliviar o calor no espelho d’água. Ah, para quem é sócio do SESC, tem piscina também para seu público.

O fluxo é intenso por esses lados, mas temos momentos em que o tempo desacelera e abre as cortinas para a contemplação. É exatamente essa sensação ao entrar na Estação da Luz, prédio histórico do século XIX, que marcou a vida de muitos imigrantes. A estação ainda mantém o estilo neoclássico e de quebra disponibiliza um piano de cauda em seu saguão para quem quiser tocar alguma música. Do outro lado da rua, você encontrará a Pinacoteca de São Paulo e o Parque da Luz.

Pina, para os mais chegados, tem a proposta de trazer arte moderna e contemporânea com exposições de cair o queixo. Para alegria geral da nação, os Gêmeos estarão em cartaz a partir do dia 15 de outubro/2020, na reabertura do museu após 7 meses fechados.

DICA: Aos sábados, a entrada é gratuita. E não se esqueça de tomar um cafezinho na cafeteria do museu em meio ao Parque da Luz.

Embora o Parque da Luz seja realmente lindo, ainda possui resquícios de anos de degradação. Contudo, para quem não tem preconceito, é um passeio que vale à pena, repleto de verde e esculturas modernistas.

 

Centrão, meu querido Centrão

Aqui, o que reina é a verdadeira democracia. Afinal, o Centro de São Paulo é dos bairros que mais une perfis diferentes por metro quadrado. Então, se procura um lugar diferente, moderno e cheio de opções, esse é o seu destino!

 

Arte para todos os lados

A arte está por todos os lados no Centro de São Paulo. Seja nas diferentes escolas arquitetônicas dos seus prédios, seja nos próprios museus. Você pode percorrer pelos vários cenários culturais da região, como a Pinacoteca, Estação Pinacoteca, Museu da Resistência, MASP, Centro Cultural Banco do Brasil, Caixa Cultural, Casa Elefante, Sesc 24 de maio, Teatro Municipal, entre outros pontos.

Antes de vir a São Paulo, procure saber sobre a programação cultural para ficar mais fácil saber quais são as atrações em cartaz naquele momento.

Show, teatros e livrarias

Podemos dizer com orgulho que em São Paulo há mais peças em cartaz e 3 vezes mais livrarias que a cidade de Nova York. Uma metrópole como essa, tem a oferecer muitos lugares interessantes para o entretenimento, ainda mais agora, pós-pandemia. Claro, com toda cautela necessária, né?

Na Praça Roosevelt, próximo ao Copan e a Avenida Consolação, você irá encontrar algumas companhias de teatros, como o Teatro Estação Satyros.

 

Edifício diferentes que valem experiências diferentes

Oscar Niemeyer disse certa vez que “não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura,  inflexível…o que me atrai é a curva livre e sensual.” Assim, nasceu o Edifício Copan. Projetado para ser revolucionário, plural e social. Uma cidade em forma de prédio, com escritórios e apartamentos. Tem de tudo ali, e o melhor, você pode conferir.

Uma dica bem bacana é curtir um dia de sábado no Bar Dona Onça, local onde nasceu essa corrente do bem de reviver o Centro de São Paulo. Um lugar que junta poesia, aquela conversa na mesa do bar, bebidinhas e comidinhas boas. #VemproCentro

DICA: Para quem é adepto de uma alimentação vegetariana/vegana, aqui você irá encontrar um menu dedicado a você.

Outro prédio que também vale à pena o passeio é o Edifício Itália, onde você pode aproveitar para tomar um drink nas alturas.

 

#VemproCentro: aqui as experiências são as melhores

A Casa do Porco é um açougue-bar dedicado à carne de porco, que prepara deliciosos pratos da culinária brasileira de dar água na boca. O restaurante está na 79ª posição da lista de Melhores Restaurantes do Mundo, e é considerado o 8º Melhor Restaurante da América Latina. Aliás, juntamente com o Bar Dona Onça, seu criador, puxou o movimento de revitalização do centro para que se tornasse um polo gastronômico e cultural. E deu muito certo.

Agora que você já conhece um pouco do velho Centrão, aproveite para conhecer face a face esse lugar que tem muito a oferecer e agradar!

Bom Planejamento!

 

 

 

 

 

 

 

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